Poeira das estrelas


Carl Sagan explanou que todo o carbono que contém na matéria orgânica foi produzido originalmente nas estrelas. O ferro no nosso sangue, o cálcio nos nossos dentes… tudo vindo há uma penca de bilhões de anos do interior de uma estrela.

Partindo de uma premissa cientificamente cética, obviamente, nossa significância diante desse grande mar de poeira é tão relevante quanto o germinar de uma semente da fruta da estação. Assim como ela, somos perecíveis. A diferença é que nós podemos alterar o curso das coisas durante o meio termo.

Nossas vidas, do início ao fim, são moldadas por um infinito de acasos. Pro bem ou pro mal, é do fruto deles que nós construímos nossos caminhos, andanças, lembranças e histórias. Na verdade, o verdadeiro fruto somos nós.

O constante desejo de estar no controle faz com que foquemos na ideia de que somos os atores principais do elenco que nos cerca, quando a dura realidade é que não passamos de coadjuvantes. A nós, cabe tentar conseguir algum destaque nesse emaranhado de atores, figurantes e plateia. Ou, ainda que sem destaque, que nosso papel represente algo positivamente concreto para outras pessoas e espetáculos.

É preciso que reconheçamos abertamente nossa ínfima insignificância diante do todo, mas também sejamos cientes da grande significância diante das pessoas que nos amam.

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