Tarantino vaza na tela em “À Prova de Morte”

Lançado como parte de uma sessão dupla com “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez, “A Prova de Morte” talvez seja o filme mais fraco da carreira de Quentin Tarantino. Arrastado pela própria fixação com cineasta com um gênero do qual é fã, o filme mistura tantas referências num enorme Frankenstein de pouco mais de 1h50 que poderia muito bem ser uns 15 minutos mais curto.

O formato homenageado, os filmes B grindhouse que normalmente envolviam sangue, mulheres e carros, permite que o Tarantino explore todo seus fetiches na tela. E da-lhe closes em pés femininos, bundas e virilhas. Até o diálogo, marca registrada do diretor, sofre com esse excesso de ‘liberdade’, ficando muitas vezes chato e entediante. Em sua versão original o filme tinha 80 minutos, o que certamente ajuda nesses quesitos. Com o fracasso do projeto nas bilheterias, a Miramax relançou os longas em formatos separados e extendidos. Alguns atores também funcionam melhor recitando a prosa tipicamente tarantinesca, como é o caso de Kurt Russell, verdadeiro mestre que preenche a tela com seu personagem. Stuntman Mike me parece ser uma daquelas ideias que surgiram na cabeça de Tarantino há muito tempo atrás, mas ficaram guardadas até o momento certo. Em Russelll, o personagem encontrou o intérprete perfeito. Talvez nunca um dublê tenha sido tão pouco tolerante a dor quanto ele. Não é nenhuma surpresa também que o filme seja muito bem filmado. Trabalhando pela primeira vez como diretor de fotografia, fica claro o conhecimento e amor de Tarantino pelo gênero, mesmo quando o resultado final não é tão bom como aqui.