Rachel Comey, verão 2017: entre a rua e a passarela

Aquela versão mais rasa do que se chama de street style parece ter caído mesmo em desuso. Depois de consolidar a carreira de seus fotógrafos e personagens mais originais e talentosos, a expressão se viu associada nos últimos anos aos caçadores de atenção com looks artificiais seguidos por interessados semi-profissionais prontos pra qualquer clique. O que, para deixar registrado, também não tem nada a ver com sua versão mais exploradora, ligada ao registro multifacetado de estilo que inspira estilistas e publicações.

Na apresentação pilotada pela americana Rachel Comey, o pensamento sobre a moda de rua ganhou interpretação interessante. No segundo dia da semana de moda, ela levou às calçadas de Nova York seu verão 2017 com a intenção de representar, de maneira atual, a dose de realidade injeta em seus looks. Uma escolha condizente com esfera de sua marca, mas contrária aos desfiles-experiência de supergrifes que preferem criar universo próprio para desfiles (vide Tommy Hilfiger nesta temporada) ou aos mais tradicionais, que se isolam em salas fechadas tipo tela em branco (ou câmara escura).

A oferta de peças foi tão diversa quanto o casting reunido: camiseta branca e jeans, camisas de seda, jardineira moderninha e vestidos amplos para o dia se alternavam entre itens de tom utilitário ou esportivo refinados por tecidos de aparência sofisticada e elementos marcantes de design como nós e babados proeminentes. Foi como se tudo estivesse unido justamente por sua diversidade. Apesar de focar atualmente na moda feminina, o desfile também contemplou clientes masculinos com peças que evocavam, maneira bem amarrada, suas versões para elas.

Ao retomar o contexto de sua primeira apresentação em 2001 (a de agora celebra 15 anos da marca), Comey adicionou à coleção um comentário esperto para esta temporada. Fantasia, claro, é parte fundamental da moda. Por outro lado, quando o assunto da vez é a distância entre desfile e mercado, reflexões em torno das passarelas também podem estar envolvidas com o mundo real, com o que de fato ganha as ruas. Caso contrário, correm o risco de parecerem tão vazias quanto as personagens dos cliques genéricos de street style.

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