Nem princesa, nem guerreira:

Em defesa do caminho do meio.

Tem pra lá de uns 6 meses que vi pela primeira vez, numa daquelas postagens que viralizam, um vídeo sobre uma tal de “Escola de Princesas”. Já viram ou ouviram falar disso?

Trata-se de uma instituição educacional dedicada a ensinar modos a meninas. Que modos? Cono se sentar à mesa, como servir e receber convidados, enfim, como brilhar no reino que supostamente é seu: o lar. Achei bizarro? Achei. Me assustei? Até que nem. Depois de quase 18 anos trabalhando com educação, pouca coisa me assusta.

Entendi a proposta da “Escola de Princesas” como negócio muito mais do que como escola, ainda que a maioria de nossas escolas sejam negócios (o que é bem complicado por si só), como proposta para atrair o imaginário colonizado de Disney de crianças e pais. Não levei muito a sério, mas sintam-se confortáveis para levar ok?

Daí, hoje me deparo com o seguinte vídeo num post de facebook:

Bryan e Nat são blogueiros e tenho absoluta certeza que tinham a melhor das intenções quando fizeram esse vídeo para ajudar a desconstruir a ideia da tal escolinha pra princesas. Porém lamento demais que tenham optado dualismo princesa x guerreira para justificar um argumento de empoderamento feminino.

Se tem uma coisa que 2016 nos ensinou foi para desconfiar de dualismos, foi não?

No vídeo eles afirmam que princesas estão fora de moda e não devem ser modelos de nada, pois:

  • Não vivemos na monarquia
  • Você não vai encontrar príncipes
  • Desejos não se tornam realidade

E por aí vai…

Daí, a blogueira contrapõe usando a imagem das guerreiras como sendo o modelo ideal, pois:

  • Elas sabem se defender
  • Lutam por seus princípios
  • Não dependem de ninguém

E outras coisitas mais…

Ora, se formos bem críticos e analíticos, entenderemos os argumentos contra as princesas. Entretanto, me chamam atenção os argumentos pró-guerreirismo. Eles estão todos ancorados, simbólica e verbalmente, na agressividade (vide a linguagem corporal da blogueira) e seus exemplos. O vídeo opõe então a passividade das princesas à agressividade das guerreiras. Isso me incomoda. Muito.

Que tal não entrarmos nesse joguinho, que tal não apostar em guerra, em luta, em defesa? E se apostarmos em paz, colaboração e peito aberto? Não precisamos de Escolas de Princesas, também não precisamos de Escola de Guerreiras. Esses opostos se atraem, se anulam e nada criam.

Quer matricular sua filha, seu filho ou você mesmo em algo que faça sentido? Procure por ESCOLAS DE CONSCIÊNCIA, por ESCOLAS DE AFETO, por ESCOLAS DE AMOR.

Empoderamento, empatia, autoconhecimento, criatividade, coragem… tudo isso vem da expansão de consciência sobre si e sobre o mundo. Vem da afetividade, do deixar-se afetar e afetar, com consciência, lucidez.

Escola de guerreiras é tão bullshit quanto de princesas. Recomendo olhar com cuidado para essa dualidade e perceber que além de norte e sul, há sempre leste e oeste. Dualidades são caprichosas, cheias de ego e armadilhas. Topa não cair nelas?

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