Defesa frágil do Bremen facilita goleada

O treinador mudou, e agora Carlo Anceloti ocupa uma vaga no banco de reservas do Baayern de Munique. Mas a julgar pela primeira impressão, o domínio do clube na Bundesliga deve continuar. Na abertura da temporada 16/17, os atuais tetracampeões não deram chance alguma para o Werder Bremen. A equipe de Viktor Skripnik quase não trocou passes no campo de ataque e demonstrou fragilidades defensivas demais. O time da casa aproveitou isso muito bem com trocas de passe precisas perto da grande área que resultaram em 14 finalizações no alvo. Seis delas entraram e já fizeram os bávaros saltarem à frente na tabela de classificação.

O meio de campo do Bayern controlou a posse de bola durante o duelo e manteve a equipe no campo de ataque na maior parte do tempo, permitindo aos atacantes brilhar. O bombardeio contra o gol de Wiedwald foi protagonizado por Müller e Lewandowski, que somaram para 18 das 27 finalizações do Bayern na partida — a média do clube ao longo da última Bundesliga foi de 19 por jogo. Os dois mostraram um entrosamento muito bom nas trocas de passe perto dos zagueiros e também no lance do terceiro gol, em que Müller cruzou a bola da lateral direita para o polonês completar pra rede.

Um dos problemas graves na defesa do Werder esteve exatamente na marcação do lado direito do ataque bávaro. Müller se deslocava no ataque da direita para o centro com a intenção de criar opção de passe aos companheiros e era acompanhado pelo lateral esquerdo Caudirola até a faixa central do gramado. Lahm acabava ganhando um corredor para avançar porque Bartels e Sternberg falhavam na cobertura. Dos seis gols da partida, quatro tiveram origem em jogadas por esse setor, sendo três com participação direta do lateral. Ele inclusive foi o líder do jogo em passes para finalização, com cinco.

Bartels chega atrasado e não impede cruzamento de Lahm. Caldirola foi “puxado” pra dentro da grande área pela movimentação de Müller e mesmo assim não evitou a finalização do atacante

O time de Bremen também avançava suas linhas para tentar dificultar a saída de jogo adversária, mas a estratégia não foi bem executada e no fim das contas ajudou o Bayern. Os novos comandados de Carlo Ancelotti escapavam bem da presão com trocas de passe rápidas na defesa. A bola normalmente sobrava para alguém livre, que tinha condição de levar ela para o ataque. A equipe de Munique, por outro lado, conseguia marcar bem no campo de ataque para roubar a bola perto da meta de Wiedwald ou pelo menos forçar um erro da defesa adversária.

Bremen avança suas peças mas não há pressão em Ribery. O passe sai fácil para deixar Lewandowski na cara do gol

O Bayern dificilmente errava passes fáceis e por isso dominou o confronto no quesito posse de bola, graças especialmente a Vidal e Alcântara. O jogador com mais toques na bola pelo Bremen foi Gebre Selassie, com 57. Pelo lado dos donos da casa, apenas dois titulares — Neuer e Lewandowski — ficaram abaixo desta marca na Allianz Arena. O segundo colocado nessa estatística pelo time visitante foi Yatabaré, que se destacou pelo apoio defensivo e por ser talvez a única alternativa de transição para o ataque.

Ao contrário da ‘Era Guardiola’, quando Alaba se habituou a jogar como zagueiro, o austríaco voltou à lateral esquerda sob o comando de Ancelotti e a dupla de zagueiros teve dois jogadores de maior estatura física com Martínez e Hummels. Os dois se impuseram bem fisicamente contra o solitário centroavante Johannsson e exceto por alguns sustos na saída de jogo, deram pouco trabalho a Neuer. O número de quatro finalizações do Werder é um indício de como o Bayern, apesar das mudanças, deve seguir sólido defensivamente. E também indica como Viktor Skripnik deve ter trabalho para manter o Bremen na Bundesliga.

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