Diga-me o que pesquisas e eu te direi quem és
Campanha da ONU Mulheres revela sexismo generalizado
No ano de 2010 foi criada a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, também conhecida como ONU Mulheres (UN Women) para unir, fortalecer e ampliar os esforços mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres.
Hoje a ONU Mulheres tem sua sede em Nova Iorque e escritórios regionais espalhados por diversos países em todos os continentes, inclusive em Brasília, atuando em 6 áreas principais
- Liderança e participação política das mulheres;
- Empoderamento econômico;
- Fim da violência contra mulheres e meninas;
- Paz e segurança e emergências humanitárias;
- Governança e planejamento;
- Normas globais e regionais.
Com a responsabilidade de promover a discussão sobre assuntos relacionados aos direitos humanos das mulheres em âmbito mundial, a ONU Mulheres faz campanhas que mostram o comportamento machista em todas as partes do mundo alertando para a necessidade de lutarmos pela integridade das mulheres.
A agencia Memac Ogilvy & Mather Dubai, criou em 2013 uma campanha para a ONU Mulheres intitulada “The Autocomplete Truth” para alertar o fato de as mulheres ainda sofrerem preconceito de gênero. O interessante é que a campanha foi baseada em pesquisas feitas através da ferramenta do Google onde o recurso de autocompletar revelou reflexos de comportamentos machistas ao usar frases como ‘mulher pode’, ’mulher deve’, ‘mulher precisa’ e ‘mulher não pode’. Vale destacar que este recurso exibe sugestões de complementos baseadas em buscas reais

Os anúncios exibem sentimentos negativos que vão desde os estereótipos, bem como a negação absoluta dos direitos das mulheres: “as mulheres devem ficar em casa”, “as mulheres devem ser escravas”, entre outras frases geradas pela ferramenta de pesquisa.
A narrativa da campanha é muito bem construída mostrando o avanço na luta pelos direitos das mulheres através da história nos dando uma impressão de que o mundo já está muito evoluído em relação a esse assunto, e ao usar uma ferramenta de pesquisa que consegue cruzar dados do mundo para gerar melhores resultados que revela um comportamento machista e retroativo da sociedade, cria-se um comparativo de evolução, onde as tecnologias evoluem mais que as relações humanas.
Ao fechar as peças com frases como “As mulheres não podem mais sofrer discriminação”, “As mulheres devem ser vistas igualmente” entre outras, é como se usassem um recurso de autocorreção para as sentenças que aparecem na pesquisa.
A campanha ganhou tanto destaque que foi a mais compartilhada no ano de 2013 por vários sites do mundo. Com cerca de 134 milhões de menções no Twitter, também foi o material mais compartilhado do ano de 2013 no site Adweek. Além de ter sido citada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Outras campanhas usando o Google também ganharam destaque como a da UNFE , mostrando a discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais e travestis e do departamento de direitos humanos do governo da Austrália, contra o racismo. Isso deixa claro como a ferramenta de pesquisa consegue refletir o comportamento da sociedade mundial através dos dados que coleta.