Inversão de valores

Richarlyson foi vítima de ataques homofóbicos em sua chegada ao clube (Gabriel Ferrari/Guaranipress)

Dois acontecimentos dentro do futebol brasileiro neste ano mostraram que precisamos urgentemente rever os valores da nossa sociedade, principalmente dentro do esporte.

No dia 8 de abril, o goleiro Bruno, após ter recebido habeas corpus e acertado com o Boa Esporte-MG, fez a sua estreia pelo clube mineiro, diante do Uberaba, em Vargina, pelo Módulo II do Campeonato Mineiro. O jogador, preso em 2010 pelo sequestro e assassinato de Eliza Samudio, com quem teve um filho, recebeu o apoio da torcida do Boa em seu primeiro jogo pela equipe. Talvez a cena mais chocante tenha sido o fato do atleta ter entrado em campo cercado de crianças. Entre elas, meninas.

Um mês depois, neste nove de maio, o volante Richarlyson, com passagens pelo Atlético-MG e São Paulo, retornou aos gramados após uma breve passagem pelo futebol indiano e seis meses parado. Contratado pelo Guarani, o jogador que nunca se declarou homossexual, mas sofreu e ainda sofre com a homofobia por parte de torcedores, dirigentes e imprensa, foi recebido com críticas por parte da torcida bugrina, ironias por ponte-pretanos e até com bombas atiradas no Estádio do Brinco de Ouro da Princesa minutos antes de sua apresentação.

O futebol precisa urgentemente de uma revisão clara em seus conceitos e os torcedores em seus atos. Quando um jogador condenado por assassinato é cercado por crianças e apoiado em seu retorno aos gramados e outro é criticado e renegado por acharem que ele é homossexual — e se for, qual o problema? — , é sinal de que nossos valores estão realmente invertidos.