O que a demissão de Eduardo Baptista diz sobre o futebol brasileiro?

Eduardo Baptista foi demitido após cinco meses no comando do clube (Cesar Greco/Agência Palmeiras)

A queda do técnico Eduardo Baptista do comando do Palmeiras não foi nenhuma surpresa para o mundo do futebol. Ao contrário, era previsível. Algo que já estava certo e próximo de acontecer.

O treinador palmeirense conviveu com a sombra de Cuca desde o dia em que assumiu. Fosse na preferência da torcida viúva, nas declarações de jogadores e até na sede da patrocinadora master por resultados, uma vez que o investimento cobra muito que isso aconteça.

A saída representa também um alívio para Eduardo Baptista. O técnico conviveu sob pressão durante quase cinco meses, ouvindo críticas atrás de críticas, seja da imprensa, seja da torcida e, mesmo que disfarçasse, era evidente que dentro do próprio clube a sua situação nunca foi confortável, uma vez que em nenhum momento o treinador foi unânime.

Mas engana-se quem pensa que a saída do técnico é positiva. Pode ser que a provável vinda de Cuca ou outro treinador com maior bagagem traga resultados e títulos, o que é ótimo para a entidade. Ponto.

A demissão de Eduardo Baptista mostra grandes problemas presentes no nosso futebol, como a falta de planejamento, o fácil descarte e ausência de ética e profissionalismo.

Trazido com a missão de conquistar títulos, os números apresentados por Baptista no clube não foram ruins em momento algum. Semifinalista do Campeonato Paulista, teve a melhor campanha da competição, mas acabou eliminado pela Ponte Preta. Na Libertadores, lidera com tranquilidade sua chave e pode garantir a classificação mesmo perdendo na última rodada. O aproveitamento final foi de 66% — mesmo número que, por exemplo, tem o técnico Pachequinho, interino próximo de ser efetivado no Coritiba. Dentro de campo, entre oscilações que podem até ser comuns, deixou a desejar, mas também protagonizou mudanças táticas que deram resultado, como na vitória de virada sobre o Peñarol na última semana.

A imprensa, tão criticada na última semana por “querer plantar crise” no clube, tinha razão. Eduardo estava sim com os dias contados. “Maleável” ou não, o treinador já havia perdido a mão — ou nunca tinha tido — e precisava apenas daquilo que a diretoria queria para ser mandado embora: uma única derrota.

E assim, mais uma vez, os cartolas do futebol brasileiro fazem cabeças rolarem para justificarem seus próprios erros. É mais fácil mandar treinador embora e se calar diante dos microfones do que convocar uma entrevista coletiva para dizer: eu errei!

Na briga pela profissionalização, pela ética, por seriedade e planejamento a longo prazo, seguimos remando contra a maré. No “caso Eduardo”, os resultados foram ignorados. Vamos ver agora qual será a nova desculpa da moda.

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