Perfil Fake

Há no meu poema um tom de perfil fake fundamental
nos meus tristes trinta e dois anos, na boca da primavera.

Minha vida desvaneceu.

Com ela os falsos amores, como são todos os falsos amores de quem busca um amor
que não seja falsificado, calcinado, plastificado, fit, fino, gourmet.

Restara o poema
A terrível garatuja de Milano
O paletó branco de Bandeira
A face atônita de Clarice Lispector
A lembrança de meu pai

Ó Flor Urbana do falso amor! 
Tu que fodeste meu baba!
Estrela d'alva e buceta da madrugada sem sentido.

Mas a sub teletela não é território pra poema...

É tempo do tribunal do bom tom.

E que nos varram, manada,
para um outro estrelato: a nova era do Instagram.

Guido Manoel