Bolha de Sabão

Por detrás daquela frágil bolha de sabão,

Os olhos alegres de meus pais

E o grito de um garoto destemido,

Que corria fascinado com as mãos para o alto.

Naquele mundo de possibilidades,

Com eles aprendia.

Sol no zênite,

Cloro nos cabelos

E os pés descalços na grama.

Lembram-se das incansáveis partidas

De videogame e futebol?

E do sorveteiro às três ou às quatro,

Em sua bicicleta vetusta,

Buzinando sua buzina característica;

Com seu bigode e boné inconfundíveis?

Engraçado como disparávamos

Sem medo dos obstáculos

Em sua direção

Ao ouvir a fanfarra.

Estes foram alguns dos dias de verão

Alojados em meu peito,

Através do prisma de uma bolha iridescente.

Em seu reflexo, eu sorria

Reconfortado,

Com cada célula do meu corpo;

Porque logo atrás,

Os sorrisos de meus pais

Eram bons.

Jamais esquecerei as lições que aprendi

No parapeito daquelas venezianas de madeira.

Agora só me sobra a saudade

Diante da roda inexorável do tempo.

Somos obrigados a acompanhá-la

Titubeantes,

E, lá no fundo, eu sinto

Ou, talvez, já saiba;

A roda é impiedosa e mais rápida.

As respostas nunca chegaram até eles

E, tardias, nunca chegarão até mim.

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