
Homem de Algo
Ele andava sem rumo,
Perdido de tudo.
Achava que nunca mais
Pertenceria a qualquer lugar.
Buscava sozinho a redenção
Quando ela surgiu.
E, vejam só, que admirável.
Apaixonaram-se.
Ela sempre sabendo o que queria,
Mas sempre mudando de idéia.
Como mulher,
Sempre um passo à frente.
Ele trepidando atrás.
Não parava com seu coração incansável,
Errando e errando esse menino de tudo.
Nunca houve tempo para praticar.
Dizia: “Ainda estou aqui”.
Mas ela nunca o via.
Ele e ela
Tão diferentes,
Tão semelhantes.
Quem cansou-se foi ela,
E ele não a culpa,
Não há culpa.
Só desencontros.
Brutais desencontros.
Ela desejava sintonia
Para com os mesmos sonhos,
O mesmo futuro
E nada achava.
“Que menino bobo” — pensava à espera de um homem.
E ele desesperado
Fazia juras de amor com o que não importava.
Tinha tanta garra esse menino de tudo.
Humano de tudo.
Ele vivia insone com seus medos.
Por que tanto medo?
Amava sem fim,
Temendo o próprio fim.
Ela com pesadelos rolava na cama,
Temendo-a sempre vazia.
Já tão cheios e atribulados com eles mesmos.
Sem espaço para mais.
Não cabia mais.
Ela com suas razões,
Ele com as dele.
Imaturos então,
Deixaram o Medo triunfar.
Ela se fora e ele ficara.
Humano de tudo.
Menino de tudo.
“Não” — sorriu triste com os olhos.
Humano de tudo.
Homem de algo.