Sons da Caverna: Jonathan Tadeu — Casa Vazia

Casa Vazia é um álbum que me pegou desprevenido. Conhecia bem superficialmente o trabalho do Jonathan Tadeu, pelas participações ocasionais na Lupe de Lupe (que era minha primeira ideia de review, se é que posso chamar assim, já que não tenho conhecimento nenhum em técnica pra estar analisando algo, fora que quem me conhece, sabe que eu passo o dia falando dos caras) e no Quase Coadjuvante, projeto que só vim a conhecer depois de finalizado(eu tenho o poder de conhecer bandas, criar aquele laço e descobrir que acabaram recentemente).

Resolvi dar uma conferida após ver um share de algum dos rapazes da Lupe de Lupe, e a sensação que me veio foi: “Puta merda, eu acho que acabei de ouvir um dos melhores sons desse ano”. Tivemos o novo do God Is An Astronaut, novo da Macaco Bong, Wilco, Ghost (até então, sendo vazadas faixa a faixa), e And So I Watch You From Afar, e ainda assim, nada se comparou à experiência que eu tive ouvindo o Casa Vazia.

O álbum começa com “Saída”, faixa instrumental com sons de pássaros ao fundo, seguida de “Carlos José”, onde temos uma letra simples, porém emotiva, em contrapartida de “Estorvo”, uma das minhas favoritas deste álbum, com um som bem mais agressivo.

Apostando em letras simples na maioria das faixas, e fazendo um uso incrível de samples retirados da internet em suas faixas, o Jonathan Tadeu mostra que você não precisa necessariamente de uma letra pra passar a ideia e o sentimento conceitualizado na música, onde em parte das faixas é somente sua guitarra fazendo a base.

Pra quem estava acostumado com o som da Quase, é fácil traçar paralelos, e fica mais nítida a identidade que o guitarrista mineiro traz em cada faixa do álbum. “Mãe”, faixa 5 é talvez a minha favorita de todo o álbum. A exploração desse conceito todo de amigos e família que permeia o álbum é feita de um modo simples e direto, e vem seguida de Whitney Houston, música que recentemente ganhou um clipe, feito com imagens de uma campanha anti-drogas dos anos 60, é uma das músicas no power trio do álbum, (junto de Estorvo e Começar de Novo) e provavelmente vão ser aquelas que ele vai cansar de ouvir a galera pedir em shows. É uma das mais dançantes, e traz esse contraste de um álbum mais embalante, com o vocal calmo, sereno, característica que eu acho incrível, por ser algo que rola até nas músicas mais porrada.

Essa reta final do disco traz sons mantém essa mesmo som, sempre na mesma intensidade, de modo que você escuta duas faixas e mal percebe que houve uma pausa entre elas, por mais que tenham tempos e pegadas diferentes. O álbum fecha com “Começar de Novo”, faixa com uma levada mais rockinho e talvez a break-up song do álbum, e “Martini”, mais uma faixa que ao invés de cantada, faz uso de áudios diversos. Nesse caso, um “monólogo respondido” (uma categoria que inclusive acho interessante dessa “geração whatsapp”, onde você conversa com outra pessoa falando por áudios onde você dá a sua ideia toda, e é respondido com outra ideia inteira, sem interrupções no meio… Outro dia comento mais sobre isso) com Giovanna Greco, sobre o valor da amizade em seu círculo de amigos.

O álbum todo não chega a 40 minutos (pô, Jonathan, lança um extended triple director’s cut de 5 horas aí pra nóis, meu!), e desde meu primeiro contato com ele eu ouvi mais vezes do que eu gostaria de dizer que ouvi. Às vezes coloco pra rolar assim que começo meu expediente, e quando vejo estou saindo e ainda tá rolando ali alguma faixa, o misto entre faixas instrumentais e com a voz calma tornam algo confortável de se ouvir, sem enjoar. Não sei se vou fazer algum sistema de rating nessa seção de posts, mas esse álbum leva 4 martinis e um chorinho no último de 5.

No próximo post, falarei da Geração Perdida, porque ali tem muito talento, e esse post já está ficando longo.

(Esse post é um piloto, pretendo escrever sobre algum álbum que eu esteja ouvindo recentemente todo domingo, e ia ser turbo demais se vocês que estão lendo dessem um feedback. Sei lá, apontar erro de ortografia, concordância, dar alguma sugestão ou elogio ou mesmo só falar que sou bobão cara de melão, qualquer coisa pra ajudar a ir pra frente essa ideia, já que preciso exercitar mais minha escrita. No mais, vamo em frente, e sucesso! *imagine um hang loose*).

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