Crise política se aprofunda e governo contra-ataca

A semana começou turbulenta para o presidente Michel Temer. Como já era esperado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou, na tarde de segunda-feira (26), ao Supremo Tribunal Federal (STF) o chefe do Executivo. A acusação é de crime de corrupção passiva.
Já não bastasse a derrota na votação do relatório da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal na semana passada, a denúncia ofertada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) é outro golpe duro para o governo. E não para por aí: Janot ofereceu apenas a primeira acusação e, segundo interlocutores, outras duas já estão sendo preparadas. Para analistas, tal atitude do chefe do Ministério Público Federal (MPF) provoca um revés na tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Se antes o prazo era para que a reforma fosse votada ainda no primeiro semestre, agora já não há mais data para que isso ocorra.
Temer não deixou barato: partiu para a ofensiva e acusou indiretamente o procurador-geral de ter sido favorecido economicamente após a saída do ex-procurador da República Marcello Miller, do MPF. Miller passou a trabalhar no escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que representou a holding J&F durante as negociações para o acordo de leniência. Em nota divulgada pela assessoria do escritório, ele afirma que não cometeu nenhuma irregularidade.
Ainda em seu pronunciamento, o presidente disse que a peça acusatória parece uma “ficção” e que é frágil ao não apresentar provas concretas sobre o recebimento indevido de valores.
Agora é esperar os próximos capítulos desse embate entre o chefe do Executivo e o chefe do Ministério Público Federal para ver quem vai sair mais fragilizado. Por ora, Temer está em desvantagem. Está perdendo apoio político e seus níveis de popularidade estão em 7% segundo o Instituto Datafolha, pior número nos últimos 28 anos.
Pegou pesado O senador Hélio José (PMDB-DF) pegou pesado ao chamar o governo Temer de corrupto e afirmou que o Executivo passou a fazer “balcão de negócios”. A crítica veio após a exoneração de dois indicados do senador a cargos na administração pública.
Puxando o saco Após dizer que o diretor-geral da Polícia Federal Leandro Daiello estava sob avaliação no cargo, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, convocou uma coletiva de imprensa para sábado (24) em que afirmou que o diretor-geral permanecerá à frente da instituição. Durante a coletiva, Torquato explicou que ambos têm trabalhado na mais absoluta harmonia e camaradagem.
Ministro em pane O avião em que estava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, sofreu uma pane no ar na noite de quinta-feira (22) e precisou retornar a Brasília. O avião seguia para Belém (PA), onde o presidente do TSE iria inaugurar um posto de identificação biométrica.
Núcleo duro do governo prepara barreira O presidente Michel Temer se reuniu com alguns aliados na noite de domingo (25) para traçar uma estratégia e barrar a abertura de inquérito contra ele. No entanto, segundo a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), a reunião foi marcada para tratar das próximas votações no Congresso Nacional.