
Brasil cervejeiro!
O mercado cervejeiro sempre foi grande no Brasil, mas você já experimentou as cervejas artesanais?
A cerveja e o brasileiro são duas coisas que combinam tão naturalmente quanto malte e lúpulo. O Brasil glorificou tanto a “loura gelada”, que ela acabou virando algo cultural do país. Não que isso seja algo exclusivo nosso, porque não é. A República Tcheca, por exemplo, nos esmaga com seu consumo de 143 litros por habitante por ano, enquanto os brasileiros se arrastam ao top dez países que mais consomem cerveja.
Mas as coisas estão mudando no setor cervejeiro do país, principalmente por conta das cervejas artesanais.
O Brasil ocupa hoje a terceira posição mundial em produção de cerveja, fazendo cerca de 21,4 bilhões de litros e ficando atrás apenas da China (45 bilhões) e dos EUA (35 bilhões). O interesse pelo setor cervejeiro teve um ‘boom’ de 2012 para cá e estima-se que existam mais de 250 microcervejarias no país, focadas totalmente na venda das artesanais.
Isso, claro, afeta positivamente a economia nacional. Hoje o mercado cervejeiro representa aproximadamente 1,7% do PIB e oferece mais de 2,2 milhões de empregos na área. É realmente muita cerveja.
Mas por que este mercado está em constante ascensão?
De acordo com Thiago Ferreira, da distribuidora santista Chopp Cerva, mais entusiastas e estabelecimentos especializados apareceram, oferecendo cervejas que “fogem do comum” e cativando aqueles que só conhecem as industrializadas mais famosas. “Aqui na região demorou um pouco, mas desde o ano passado, o mercado está em alta.”, aponta ele sobre a Baixada Santista. “Hoje, após quase três anos de trabalho temos cerca de 60 clientes fixos, onde distribuímos chopp e cerveja.”.
O distribuidor também comenta que atualmente muitos produzem sua própria cerveja artesanal por hobby, porém, o comércio dessas cervejas ainda não é permitido, por não estarem regulamentadas pela MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). “A solução que os cervejeiros caseiros encontraram para entrar no mercado de trabalho é alugar os equipamentos de uma cervejaria já em produção e produzir suas receitas.”
Mesmo em alta, Thiago admite que esse processo não é fácil. Trabalhar com cerveja artesanal requer cuidados especiais na hora da confecção, armazenagem, refrigeração, distribuição e até pasteurização, para aumentar a longevidade do produto e comercializar de maneira eficiente. Entretanto, se você possui todos os requisitos, pode se tornar um negócio frutuoso.
Os 7 passos do processo de produção são:
1. Moagem de grãos
2. Cozimento de grãos
3. Clarificação
4. Fervura
5. Resfriamento
6. Fermentação
7. Maturação
Renato Oliveira Machado de Melo, um dos sócios na cervejaria Mucha Breja, em Santos, também concorda que o mercado cervejeiro está maior e aposta que daqui a dois ou três anos, cada cidade terá no mínimo 2% ou 3% de consumidores em sua população.
Mas um dos maiores vilões desse consumo, no Brasil, é a legislação, que tributa 60% do preço final dessas cervejas especiais. Renato explica que uma cervejaria que produz cerca de 10 mil litros por mês é tributada no mesmo valor que uma Ambev. Grandes grupos como a Petrópolis e a Brasil Kirin (Antiga Schin), possuem incentivo do governo. Coisa que não acontece com as cervejarias menores e microcervejarias.
Foi criado um projeto de lei que visa colocar as cervejarias artesanais no setor Super Simples Nacional, financiando pequenos produtores e talvez cooperando com o bolso dos entusiastas. Porém, o projeto vem se arrastando desde o começo do ano no congresso.
Vale mencionar que o comércio dessas cervejas está no auge e, com um pouco mais de incentivo, podem ter uma presença muito mais forte no mercado. Alguns gigantes como a Heineken e a Estrella Galicia já notaram isso e se instalaram no Brasil, lucrando com a distribuição de diversos rótulos especiais.
“Como o brasileiro é adepto a esse tipo de produto, ainda mais agora que ele está fazendo a conversão do industrial para o artesanal, se tiver um apoio do governo, com certeza vai crescer bastante.”, conclui Renato.
