Viu que o amou pelo que era possível e também o amou apesar daquilo ou indiferentemente daquilo ou ultrapassando aquilo ou embora houvesse aquilo e até mesmo por causa daquilo que era impossível. Amou o que o outro tinha e conseguiu amar o que supôs que lhe seria oferecido por ele e não foi, amou o que ele não possuía, amou-o não possuindo aquilo que supunha que possuía. Amou, assim, o outro, a vida, a si mesmo, a natureza, tudo ao mesmo tempo e tudo isso é o que é amor. Amamos quando não conseguimos muito bem distinguir se o objeto do amor é o Sol ou os olhos do amado. E nos contentamos com a possibilidade de existência do laço em um determinado momento da história e também com a possibilidade de não existência de outros laços que ficam, de alguma forma, suspensos, aguardando um movimento qualquer ou um carnaval chegar, que podem ser eternamente algo a devir ou podem se transformar e vir a ser outro laço. Sem esperar, amamos quando podemos sentir genuinamente e assim, saber, que há algo que existe e algo que pode vir a existir, mas não necessariamente virá e ali podemos olhar para a troca que existe e ver só o que ela é, ver o que está acontecendo e não levar o momento para outro lugar, deixá-lo onde ele quis e gostou de existir. Pela própria possibilidade de amar dessa maneira, começou a conseguir despertar um pouco mais facilmente.