texto 0.1

a malha viária por onde tudo que não é caminho arrasta e atravessa as projeções circunvizinhas.

radial e contínuo: como ninho de passarinho.

carrega em si o sonho de voar mais alto.

envaidece-me perambular pelos sorrisos frouxos próximos às linhas tortas do pavimento; onde a fome granítica tende a beirar o meio fio padecendo em posição fetal — trêmula e antisséptica — espera o sobejo dos egressos da lanchonete.

a espera contígua, o olhar de dona elizete, o tropeço emputecedor, os joelhos colados pelo suor alheio, as rasgas-mortalha ao fim da tardinha, a fumaça tóxica, os cientistas políticos.

uma vez eu me perdi de mainha.

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