Merda de cigano (ou Eu espero estar falando besteira)

Peço desculpa a mim mesmo por esse texto.

Hoje vai ter golpe.

Não digo isso porque eu não gosto da presidente. Não porque eu gosto mais do Aécio, ou sou do time do bolsomito, ou do cunha. E eu não acho que vai ser melhor quando ela for deposta.

E mesmo assim, me dói dizer, ela tem que sair.

Vamos criar duas hipóteses. A primeira hipótese é a que ela sai do poder.

O Temer assume. Time amarelo comemora. O PMDB assume 2 dos 3 poderes, e tem um aliado no terceiro (um abraço pro Lewandowski que nunca teve partido político, mas digamos que ele nunca se saiu mal durante os mandatos do partido). No mínimo, cheque. No máximo, cheque-mate, tabuleiro no chão, e bunda pra fora pra comemorar.

O presidente Temer assume, e o bom senso político diz que a primeira medida dele precisa ser a operação panos quentes. Fazer todo mundo esquecer o que está acontecendo em Brasília para poder pelo menos começar a trabalhar (pro bem ou pro mal do país). Damos adeus aos Panama Papers, à lista da Odebretch, às investigações, aos orientais da PF e aos juízes imaculados da santa conceição. Se ele não fizer isso, o país pode entrar em outra espiral de instabilidade política, que vai molhar a bunda do mercado financeiro. Um clima de instabilidade financeira pode afastar investidores, diminuir o valor da moeda, aumentar a inflação, esfriar a economia. Crise.

Ruim né? Mas vamos olhar a outra hipótese: ela continua no poder.

Dilma fica. Time vermelho solta fogos. Tudo continua igual, mas tudo muda. O PT continua no poder, mas agora todo mundo (no sentido de o mundo inteiro) sabe que o PT não tem força nem para impedir uma simples votação pelo impeachment. Que o governo não consegue comandar a sua equipe. Que a oposição está incontrolável. Ficamos com uma presidente sem força. Um corpo vivo com uma cabeça necrosada. E uma presidente sem força não consegue controlar o seu país. Instabilidade política, instabilidade financeira, inflação, etc. Crise.

Como já vimos pela flutuação do mercado nos últimos dias:

Dilma fica: real desaba.

Dilma sai: real dispara.

Dilma fica: real desaba.

Dilma sai: real dispara.

Estamos encarando uma bifurcação entre dois cenários: um onde temos chances consideráveis de uma crise, e um onde temos certeza de uma crise.

O governo não vai ser melhor sem ela. O poder vai se concentrar na mão de um partido, e esse partido é o partido que nos trouxe pérolas da inescrupulidade como Cunha, Calheiros, Sarney, Temer e isso sem nem pesquisar muito a fundo. O conceito de democracia e representação popular vai, pelo menos, ser chacoalhado pelo braço.

Mas a continuidade da presidente no poder vai ser impossível, e isso não dá pra negar.

Dilma, eu não tenho nada contra você, apesar de não ser seu maior fã.

Não importa o resultado de hoje, vai ter golpe.

E quem vai tomar esse golpe é a gente.

Que a constituição nos proteja.

Nos vemos do outro lado.

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