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Apesar de ter estreado em solo britânico no ano passado, o mais recente filme de Armando Iannucci apenas chegou aos cinemas portugueses em setembro de 2020 como uma das poucas obras que procurou dinamizar as receitas das salas nacionais após a reabertura dos estabelecimentos de entretenimento. Como já podem ter percebido, The Personal History of David Copperfield é (mais) uma adaptação da célebre obra literária de Charles Dickens.

Com um elenco de luxo, do qual fazem parte, entre outros, Dev Patel, Tilda Swinton, Hugh Laurie, Ben Whishaw ou Peter Capaldi, é uma abordagem satírica às peripécias da vida labuta de David. Iannucci mantém intacta a base da estória, benéfico para não perder a identidade, mas acrescenta a sua característica observação irónica no decurso da narrativa, equilibrando um pouco dos dois mundos dos autores. Uma tentativa de encontrar uma agulha de esperança num palheiro de abusos, má sorte e pobreza, diria, algo que Charles Dickens tão bem desenvolveu nos capítulos publicados em meados do século XIX. …


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Depois de novo adiamento da estreia de No Time to Die, o vigésimo quinto filme da saga James Bond, os cinemas ficam, provavelmente, sem o grande blockbuster que iria encher — na medida do possível — as sessões até ao final do ano.

Trata-se da enésima mudança neste atípico ano de 2020. Compreensível dadas as circunstâncias, onde a preocupação pela saúde pública ocupa um lugar de destaque, a incerteza abunda e a relutância em permanecer duas horas num espaço fechado é constante. Porém, não obstante a validade destes argumentos, levanta-se uma questão maior. …


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Raras são as vezes que não torcemos os narizes a adaptações de livros para cinema ou televisão. Porém, se por alguma razão não utilizei o advérbio ‘nunca’, tal deve-se a exceções como Normal People.

Do aclamado romance de Sally Rooney, surge um reconto do atribulado, mas sentido, relacionamento de Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones). A série epónima estreou em Abril na BBC, tendo chegado recentemente à plataforma da HBO, após receber inúmeros elogios da crítica sobre a abordagem introspetiva e intimista da narrativa, tal como as interpretações dos protagonistas.

A trama, encetada por Alice Birch e pela própria Rooney, mantém-se fiel ao livro, conseguindo transparecer a génese dos encontros e desencontros de Connell e Marianne. Transitar as emoções e estados de espírito do livro para o ecrã seria um dos maiores desafios dos argumentistas. Porém, ter a escritora a bordo da equipa criativa parece ter permitido maior facilidade em retratar estes momentos mais particulares das personagens para estabelecer o seu desenvolvimento ao longo da estória. O ritmo é, por isso, essencialmente lento, contudo, indispensável para traduzir o referido íntimo dos protagonistas, assim como os seus estados de espírito — que só Sally Rooney seria capaz de reproduzir tão bem nesta dúzia de episódios. …