“The Witch”

O cinema mainstream agoniza a muito tempo debaixo das fórmulas de sucesso implementadas em Hollywood. A cada grande lançamento milionário vemos filmes com ação desenfreada, efeitos em computação gráfica e roteiros padronizados, elementos usados com tamanha frequência que o fator “surpresa” está cada vez mais sumido.

No desenvolver da campanha de marketing de “The Witch” os trailers venderam a produção como o mais assustador filme de terror de todos, e claro que isso não aconteceu. O público acostumado com os padrões da indústria cinematográfica, no caso a de terror, esperava barris de sangue falso, fraturas expostas ou o mais fraco dos clichês de filme de horror, sustos gratuitos. Mas nada disso aconteceu, o que gerou uma certa onda de críticas negativas ao filme pelo grande público.

A verdade é que “The Witch” não é o filme mais assustador de todos os tempos, mas é uma maravilhosa novidade. Construída habilmente por seus criadores o filme atinge em cheio o seu objetivo, ser perturbador e o mais fiel possível ao seu período histórico, época cheia de superstições e fanatismo religioso.

Ao retratar a época, o diretor e roteirista iniciante Roger Eggers construiu uma aura sombria e deprimente, que se revela não somente no roteiro, mas também na fotografia (belíssima) do filme. A referência a “O Iluminado” de Stanley Kubrick é facilmente sentida, uma família que se isola em um lugar sombrio e lá encontra algo muito perturbador. Vemos também a influência maior (na minha opinião) de Kubrick na trilha sonora, desta vez não só de “O Iluminado” mas também de “2001: Uma Odisséia no Espaço”, cheio de sons atonais e contínuos, a música do filme é responsável por boa parte do clima sombrio da história.

Filme ousado, cheio de referências, fiel ao período histórico e acima de tudo PERTURBADOR, tudo o que um ótimo horror/suspense tem que ter.

Foda.

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