Desabafos e Desafogos (2)

Tempo que não escrevo, tempo que não paro para pensar em mim. Me dei um tempo, me deixei levar pela maré. Só notei que estava me enganando hoje, no meio da insônia, esta que a tempos me acompanha. 
2017 está sendo um ano desafiador. Estou sozinho depois de muito tempo, não estou trabalhando, não estou estudando, estes últimos não por escolha própria. Me mudei para outra casa e continuo não me sentindo bem, estranho isso acontecer, porque depois de muito tempo, sinto que minha saúde física está melhor, mas a mental sempre me preocupou mais.

Sempre tive um desejo incontrolável dentro de mim de melhorar o mundo, de ser herói, de ser o protagonista. E isso me mata. Eu, como havia dito, estou me enganando o ano todo (talvez até mais?). Nunca parei pra pensar realmente sobre mim, de lembrar quem eu sou ou de me reprimir por me achar uma pessoa ruim. Eu não sou de forma nenhuma uma má pessoa, mas sempre me sinto assim. Eu me sinto um rei cego pela sua coroa, egocêntrico, esnobe e mesquinho, se preocupando mais com o seu umbigo do que com seu reino. E sei que não deveria me sentir assim, eu sei que ajudo de alguma forma os outros, mas se eu deixar de me cuidar, como poderei fazer?

Novamente escrevo um texto me abrindo, novamente serei julgado por “profissionais da área”, mas a escrita é o que me salva, é onde consigo juntar os pedacinhos soltos e malucos da minha cabeça e amarrar em um texto ainda mais confuso, mas que quando entra em contato com meus olhos, se tornam minha redenção. Eu não nasci pra ser convencional, usar um terno e atender pacientes por números sem ser tocado pelas histórias deles, e esse é meu defeito de acordo com outras pessoas, já eu acho que é minha maior qualidade… Mas enfim, como parei nesse assunto? Sei lá, ainda bem que é um escrito de desabafo!

Voltando um pouco ao assunto principal, a única forma de eu salvar os outros é continuar me salvando, só que tenho que fazer isso por mim. É tão difícil fazer algo por mim. É tão difícil se aceitar numa sociedade que constantemente me lembra que não faço parte dela. Lembro de uma frase (que por um acaso é minha assinatura aqui no Medium) que diz “I’m a lover, not a fighter”. Eu amo as pessoas que me rodeiam (sei que digo MUITO POUCO ISSO ENTÃO APROVEITEM), meus familiares e amigos são muito importantes, e amo vocês. Agora por outro lado, lutar para melhorar é muito difícil. Aceitar meus sentimentos, enxergar que meus defeitos não são tão horríveis assim e que minhas qualidades não são de se jogar fora. Lutar por mim é um bom objetivo de meio de ano, pois lutar pelos outros eu sempre me habilitei. No fim eu não sou um rei que não olha pros outros, mas sim um rei com medo de seu próprio reflexo e não aceitando falhas que são normais pra alguém jovem como eu.

No fim, tudo que posso desejar é paz e luz, não apenas pra vocês que leem o que escrevo, mas para mim também, acho que ando precisando bastante disso.