A música em 2017

Desde 2013, todo ano é a mesma coisa: ouço diversos discos no decorrer e ao final faço uma lista final com o que eu ouvi e realmente gostei. Mas nesse ano, algumas coisas não saíram como planejado.

Primeiro fato foi que eu realmente não tive tempo como já tive em outrora para ouvir música. Foi difícil selecionar os discos e mais ainda elencar os meus 30 favoritos, como geralmente faço. Não sei se foi por conta disso, mas achei este ano muito abaixo de todos. É, na verdade esse ano não acabou sendo tão parecido com os outros.

Como a dificuldade e a qualidade não estavam a favor, acabei não chegando à meta anual de 100 discos, mesmo colocando os EPs no mesmo pacote dos LPs, sendo que destes, apenas 19 discos eu dei uma nota maior do que 8 no meu rateyourmusic. Ou seja, para quem ouviu 94 discos, foi um péssimo aproveitamento.

Vendo as listas de final de ano de conhecidos e de sites especializados, percebi que realmente não garimpei bem os lançamentos. Mas como não podemos voltar atrás, e a tendência daqui pra frente é só piorar, decidi inserir mais um tópico aqui colocando minhas 20 músicas favoritas no ano, junto com pequenos comentários. Logo abaixo, também colocarei meus 20 discos favoritos e mais algumas informações estatísticas sobre o que andei ouvindo. So, here we go:

Parte 1: Minhas 20 músicas favoritas de 2017:

20. Arcade Fire: Creature Comfort

O Arcade Fire estava com muita moral depois do Reflektor, um disco duplo onde a banda se renovou, criou um grande hype e saiu por turnê no mundo todo, com shows esgotados e sendo a atração principal do Lollapalooza Brasil.

Esse ano as coisas mudaram. Seguiram uma linha parecida do último disco, criando uma expectativa gigantesca, fazendo show surpresa no Primavera Sound, reinventando o som… mas as coisas não saíram como o esperado. Foi um martírio vender ingressos não só aqui no Brasil, mas no mundo todo.

Porém, nem tudo dentro do disco é de se jogar fora. Creature Comfort é uma das melhores músicas da banda, praticamente uma auto-biografia do Win Butler de como foi a alavancada meteórica rumo ao sucesso depois do primeiro disco e como é a vida com tanto sucesso, destacando inclusive as partes não tão boas. A melodia é coesa com o restante do disco, o que demonstra que o problema não é o ritmo novo, mas sim a forma como ele foi trabalhado.

19. Fufanu: Restart

O primeiro contato que tive com essa banda islandesa foi em um vídeo de uma apresentação no KEXP, onde eles apresentavam algumas músicas do disco anterior e faziam uma apresentação destruidora, espetacular, explendorosa para “Now”, primeira faixa do disco. Se ficou curioso, pode ver clicando aqui. Porém, ao ouvir o resto do disco ou ver o resto da apresentação eles não me convenceram, ficando um gostinho de quero mais, sabendo que esses meninos poderiam fazer mais. E fizeram.

No álbum lançado neste ano, Fufanu foi além e fez um discaço. Recheado de músicas atreladas principalmente ao kraut-rock, mais denso e, principalmente, mais bonito.

Aqui eu poderia colocar qualquer música do disco e optei por Restart porque ultimamente é a que mais venho ouvindo, mas a dica é: ouça o álbum completo.

18. Grizzly Bear: Losing All Sense

Nunca consegui gostar dessa banda. Diversas vezes já tinha ouvido falar, mas nunca digeri. Esse ano eles lançaram um álbum e eu, provavelmente, estava sem nada pra ouvir, então decidi tentar.

Losing All Sense, assim como a primeira parte do álbum, é muito bem feita. A união dos instrumentos causa uma harmonia muito limpa, bonita e gostosa de se ouvir. Eu prefiro ouvir álbuns completos, mas hora ou outra coloco apenas essa para ouvir. E não me arrependo.

17. Brand New: Can’t Get it Out

Nas primeiras vezes que ouvi Science Fiction, o último álbum do Brand New, essa música não passou nem perto de ser uma das minhas favoritas. Depois de ouvir diversas vezes, ela subiu pra mim.

Can’t Get it Out é um retrato claro de como se lida com as pessoas quando se carrega a depressão dia após dia, como a convivência pode, ao invés de ajudar, acabar machucando. O instrumental ajuda, principalmente no refrão, trazendo uma sensação de sufocamento e imersão durante a música, buscando o meu sentimento e colocando para fora.

16. Mac DeMarco: Moonlight on the River

Preciso falar que esse foi o ano que comecei a gostar do DeMarco. Até então tinha um certo preconceito com a música que ele fazia e tudo que envolvia o nome dele, porém, ao ouvir o primeiro álbum com menos má vontade, eu acabei digerindo. Também nesse ano, ele lançou o disco This Old Dog, que é um disco bacana, mas que não dá vontade de repetir as audições.

Moonlight on the River se sobressai como última música do disco e melhor música da carreira do americano. Nela, ele detalha seu relacionamento com o pai e como ele foi deixando de se importar. O final instrumental é melancólico, fazendo jus à letra e, provavelmente, a relação que os dois possuem.

15. Tyler, the Creator: I Ain’t Got Time!

Assim como o DeMarco, eu também não conseguia gostar do Tyler, mas nesse caso, era porque realmente não me descia as músicas que ele tinha feito até então. Porém, no último disco, ele soltou esse hino.

I Ain’t Got Time é a música mais intensa e divertida lançada esse ano, Tyler canta com agressividade em uma batida rápida que desacelera no final, tornando uma música completa e que se tornou a melhor do disco.

14. yaeji: raingurl

Esse disco foi nos 45 do segundo tempo. Foi sem muita pretensão, mas quando chegou em raingurl eu já estava “dançando”. É uma música dançante e que, se você colocar numa festinha, a galera provavelmente vai gostar.

13. Courtney Barnett and Kurt Ville: Over Everything

Nunca fui fã de nenhum dos dois, mas se fosse para escolher, gosto mais da Courtney. Ela é talentosa, toca bem e tem diversas músicas bem divertidas, porém, criar um disco bom não é o forte dela.

Quando ela se juntou ao Kurt Ville, por alguma razão, eu fiquei bem animado. Acho que os dois são grandes guitarristas e se complementariam de uma forma bonita ao fazer um disco. E isso acontece em Over Everything, faixa de abertura do disco. Porém, novamente, o disco inteiro não foi o forte deles de novo (apesar de ter sido melhor do que qualquer coisa da discografia de ambos).

12. Tim Bernardes: Não

Tim é vocalista d’O Terno e esse ano lançou o seu primeiro disco solo, chamado Recomeçar. É um disco muito bonito, nitidamente bem feito, que emociona e que, pelo menos no meu caso, impressiona, pela sensibilidade de como o amor é posto em suas letras.

11. The War on Drugs: Holding On

Sinceramente, eu acho que essa música é um auto-plágio de Red Eyes em relação a dinâmica de como a música cresce instrumentalmente. Mas como eu amo Red Eyes, eu também amo Holding On. Vale lembrar que essa música está fazendo eu não desativar a soundtrack do FIFA, pelo menos por enquanto.

10. Foxygen: America

Eu ouço essa música e vejo que Sam e Jonathan finalmente conseguiram ser o que queriam quando montaram a banda lá atrás, na infância.

É uma música épica, grandiosa, que mostra todo o talento na composição e a loucura desses caras. Parece que estou em um filme da Disney.

9. Natalia Lafourcade: Mi Tierra Veracruzana

Esse ano eu enlouqueci: coloquei na minha cabeça que queria estudar um novo idioma e decidi fazer espanhol a língua que, tirando o sobrenome que acabei recebendo, eu não tenho nada em comum.

Acabou que desisti do curso (mas terminei) e o que ficou foi a Natalia Lafourcade. Para tentar viver a língua, pesquisei artistas que cantavam em espanhol e me esbarrei com essa doce voz que, nesta música em questão, narra de forma sensível o amor por sua terra natal.

8. Bonifrate: Microcosmo

A música psicodélica é um dos grandes presentes divinos que recebemos nessa vivência ingrata.

Bonifrate nunca é, nunca foi e, por enquanto, continua sendo, uma banda acima de ok. Porém, aqui, os meninos se superaram. Microcosmo é uma viagem transcendental rumo ao desconhecido, o vocal se une à guitarra e Microcosmo deixa de ser uma música para se tornar uma experiência que você não quer que acabe.

Essa música possui 3min31seg, mas eu queria que tivesse 15min, no mínimo.

7. Trementina: All I Wanted

Trementina é uma banda chilena que fez um bom primeiro disco e melhorou um pouco neste segundo. Mas o que eles fizeram nessa música, infelizmente, eu acho difícil ser superado.

All I Wanted é uma música extremamente sensível e tranquila, causa uma imersão onde a voz passa grande calmaria e de certa forma tristeza, mas não uma tristeza que deixa mal, mas sim uma que deixa tudo cômodo, como se o ápice da tristeza tivesse passado e o que restou foi a conformidade com o que houve, fazendo com que precise apenas seguir a vida e fazer o que resta.

Não sei se deu pra entender, mas quando uma música causa essa mistura de sentimentos, fazendo um sentimento ruim parecer bom, é porque ela é fantástica.

6. Fleet Foxes: Third Of May / Ödaigahara

Fleet Foxes entra exatamente no mesmo grupo do Grizzly Bear e essa música faz eu me sentir sozinho em Glasgow sentindo o vento cortar os meus cabelos curtos enquanto eu me hidrato e aprecio a paisagem. Se você não acha isso bom, nem ouve.

5. Thundercat: Friend Zone

Uma das minhas tristezas esse ano foi não ter conseguido comprar ingresso pro show do Thundercat no Sesc. Isto porque, felizmente, fomos presenteados com um disco ok e essa música espetacular que, quando você percebe, já está dando a famosa dancinha.

4. Sorority Noise: No Halo

Ao lançar “You’re Not As __ As You Think”, a banda provavelmente sabia a responsabilidade que tinha. Em 2015, “Joy, Departed” foi lançado, um dos melhores discos da década e, seguir a qualidade que foi apresentada naquele trabalho seria extremamente admirável, já que poucas bandas e artistas conseguem sucesso neste feito. E realmente, aqui não foi o caso.

O disco é médio, bem aquém do que fora apresentado anteriormente, porém, nem tudo é de se jogar fora. Me lembro quando “No Halo” foi apresentada como single para o disco e, obviamente, eu empolguei. A música, assim como o álbum de forma geral, trata da morte de amigos e a relação do autor frente à este fato. Por se tratar de uma banda emo, obviamente, ele não vê com bons olhos a atitude que teve frente ao que houve.

Se o resto do disco não compensa, No Halo é, possivelmente, a música que faltava em “Joy, Departed” para que o disco se tornasse uma obra prima.

3. King Krule: Dum Surfer

O homem pra mim é um dos artistas da década. Fez música com uns quatro nomes diferentes, todas demonstrando a intensidade e passando o amor que Archy tem por criar.

Aqui, King Krule fez Dum Surfer ser o que uma música deve ser: pesada, densa, soturna e sensual. Com diversos elementos, a junção faz com que a integração tenha um resultado perfeito, desmembrando toda a estrutura comum da música.

2. Carla Dal Forno: We Shouldn’t Have To Wait

Essa música é a que abre o EP que leva o nome de The Garden, onde Carla continua com seus experimentos eletrônicos do primeiro disco, não decepcionando e trazendo um registro de muitíssima qualidade.

Aqui foi feito o que ela provavelmente tentou fazer no primeiro disco e não conseguiu (mas chegou perto): é uma música com pegada minimalista porém, que não para no minimalismo experimental ou lírico, mas também sentimental.

1. Lorde: Sober

Eu estava muito ansioso por esse momento.

Lorde fez um disco incrível antes da maioridade, Pure Heroine continua sendo um grande disco e, claro, não perdeu suas maravilhas por conta da genialidade exposta em Melodrama.

Ela também escreveu grandes músicas, como Team, White Teeth Teens e até mesmo Royals, sempre abusando do minimalismo mas sem sair do pop.

Música é uma coisa muito subjetiva. Estou escrevendo e percebendo que Sober tem todos os elementos que ela já utilizou em outrora (talvez tirando os instrumentos de sopro no refrão) e tentando entender o porquê de eu achar isso tão genial.

Deve ser porque eu não esperava que ela poderia ir tão além.

E ela foi.


Parte 2: A Playlist

Bem, já que você leu tudo ou pelo menos passou o olho no texto, ou leu sobre o que te interessava e descartou o resto, está na hora de ouvir. A playlist está ordenada da última colocada até a primeira, então divirta-se para ouvir como quiser


Parte 3: Meus 20 discos favoritos de 2017

Eu canso de escrever e, quando isso acontece, a qualidade do meu texto cai absurdamente. Por isso, pouparei vocês das bobagens e deixar apenas a lista dos discos com mais três músicas que recomendo.

20. avec le soleil sortant de sa bouche: pas pire pop

instrumental/rock

trans-pop express I, trans-pop express II

19. godspeed you! black emperor: “luciferian towers”

post-rock

anthem for no state part I, II, III

18. fleet foxes: crack-up

folk

third of may/ödaigahara, cassius, -, i am all that i need

17. king gizzard and the lizard wizard: murder of the universe

rock progressivo

tem que ouvir o disco inteiro

16. juana molina: halo

art pop/experimental

sin dones, a00 b01, cara de espejo

15. kelly lee owens: kelly lee owens

art pop/experimental

arthur, anxi, evolution

14. pond: the weather

neopsicodelia

sweep me off my feet, colder than ice, edge of the world (pt. 2)

13. my magical glowing lens: cosmos

neopsicodelia

sideral, raio de sol, noite estrelada

12. slowdive: slowdive

shoegaze

don’t know why, star roving, slomo

11. king gizzard and the lizard wizard: polygondwanaland

rock progressivo

the fourth colour, crumbling castle, inner cell

10. natalia lafourcade: musas

música folclórica

mi tierra veracruzana, mexicana hermosa, tú me acostumbraste

9. kedr livanskiy: ariadna

minimal synth

ariadna, za oknom vesna, acdc

8. apeles: rio do tempo

dream pop

imensamente sutil, vermelha, clérigo

7. brand new: science fiction

emo

can’t get it out, 451, same logic/teeth

6. foxygen: hang

art rock

america, avalon, rise up

5. susanne sundfør: music for people in trouble

folk

reincarnation, undercover, no one believes in love anymore

4. fufanu: sports

krautrock

restart, gone for more, sports

3. carla dal forno: the garden

minimal synth

we shoudn’t have to wait

2. lorde: melodrama

art pop

sober, hard feelings/loveless, supercut

1. king krule: the ooz

art rock/trip hop/jazz rock

dum surfer, the locomotive, vidual


Parte 4: O meu ano em números

Puxando os números da minha conta do Last.fm, meu ano musicalmente:

os 20 artistas que mais ouvi
os 20 álbuns que mais ouvi
as 20 músicas que mais ouvi

Por hora é isso. Até ano que vem!

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