Bagagem

Guilherme Aniceto
Nov 8 · 1 min read
Foto: Jenelle Hayes

Estou por um fio
e a culpa nunca foi tua.
Não me peça desculpas, por favor.
Antes de ti, eu já havia chorado dois Rios Doces,
mesmo antes do rio ter sido tomado pela lama
e de termos sido dominados pela dor.
A minha alma sempre andou nua
onde os dedos apontavam defeito.

Dentre as razões para o meu pesar
não posso incluir-te, meu bem.
Não seria justo com ninguém.
Ainda me fizeste sentir, de tudo apesar.
Ainda fizeste de mim alguém que ama
e que escreve poemas à Lua.
Não te aflija por meu vazio
que vem de antes de existires em meu peito.

Estou por um fio
e a culpa nunca foi tua.

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