Guilherme Aniceto
Aug 23, 2017 · 2 min read

Bom dia, Carlos. Sem dúvidas, houve e há ainda diversos autores que rechaçam o que chamam de “politicamente correto”, e escrevem sem preocuparem-se com a “repercussão” de seus escritos. Pois bem, os tempos são de disponibilidade de informação. Há cada vez menos espaço para a ignorância, para a intolerância e para os desserviços intelectuais. A responsabilidade a que me refiro é a de tratar os assuntos com a sensibilidade e assertividade adequadas. Obviamente, um escritor de ficção pode — e deve — escrever sobre os mais diversos assuntos e tratar dos problemas que afligem o ser humano. No entanto, mesmo esse escritor precisa ter cuidado com o tom que dá ao seu enredo. Não deve, por exemplo, tratar de preconceitos e violências na banalidade, tampouco tratar de distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, transtorno de bipolaridade, etc.) de forma romantizada, ou retratar vivências que não conhece de forma equivocada — há que se pesquisar antes. Da mesma forma, já não há mais espaço para personagens que pejoram as minorias já marginalizadas em nossa sociedade. Um exemplo claro disso é o tratamento do homossexual na literatura, que quase sempre se dá de forma caricata, tendendo ao humor, desconsiderando as implicações que isso tem na criação de estereótipos que não representam os homossexuais. Quanto ao empobrecimento do trabalho que você cita, discordo que ele ocorra devido à preocupação com o impacto dos escritos. Na verdade, acredito no oposto disso: uma obra literária tende a ser enriquecida com o tratamento adequado das realidades, enquanto o desleixo nesse sentido a empobrece. Essa discussão inclusive permeia os escritos humorísticos. Não é engraçado, por exemplo, escrever piadas embasadas em intolerâncias. Há formas mais inteligentes de fazer humor. Assim, o cuidado no tratamento é o que diferencia um escritor responsável de um escritor irresponsável, nesse contexto. De qualquer forma, obrigado pela leitura e pela contribuição. Abraços.

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    Guilherme Aniceto

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    Poeta, pai de gatos e cachorros, marido de marido, filho só da mãe.