Tempo em pó

Guilherme Aniceto
Nov 6 · 1 min read
Foto: Nathan Dumlao

Tudo que toco, verto em pó,
dê-me o ouro, dê-me as pedras brilhantes
e as rochas de todos os tipos,
as montanhas, os arbustos que crescem em seus topos,
dê-me teus pertences — todos eles — e os consumirei por completo,
até o pó.

Mas, dê-me um amor e vê que fico desapontado,
que não consigo consumir tal coisa.
Eu estrago tudo, mas o amor me conserta:
fica ali, de porta aberta,
enquanto eu titubeio,
mas entro, visto que é a entrada
o único e infalível meio
de se alcançar alguma alegria.

O amor me coloca em chamas e,
de tempos em tempos, é a mim que verte em pó.

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