Playa del Carmen
8 de julho, Playa del Carmen
Playa del Carmen era o último destino de nossa viagem de 11 noites que começou em Miami e passou também pela Cidade do México. Chegamos no Aeroporto de Cancun perto das 21h da noite. O desembarque do aeroporto de joga direto para o estacionamento onde esperam ônibus e carros — nem se passa pelo saguão. Entramos no ônibus ADO que nos levaria à Playa. Depois de pouco mais de 1h, desembarcamos na pequena rodoviária que fica próximo à saída do ferry para Cozumel, em plena Quinta Avenida.
O hotel não poderia ser mais perto: era só virar a quadra da rodoviária e seguir por uns 40 metros pela calle 2 Norte. Deixamos as malas no quarto. Em cima da cama um casal de cisnes de toalha muito elaborados. Partimos para encontrar algo para comer na Quinta Avenida —um calçadão que é o local onde as coisas acontecem depois que o sol se põe. Cheia de turistas queimados de sol, com restaurantes e lojas abertas até umas 23h e algumas pessoas tomando margueritas vasos tão grandes quando, de fato, um vaso. Um grupo de b-boys se apresentava para pessoas que estavam sentadas em mesas na calçada.
Paramos no 100% Natural, uma recomendação do Google Trips que eu li dentro do ônibus enquanto estava offline. Boa escolha: double drinks e uma massa com molho vegetariano. Quando saímos dali o restaurante já ia fechando. Pareceu cedo pelo tanto de gente na rua, mas era um efeito Tostines: se todo mundo fechasse tudo ao mesmo tempo, as pessoas voltariam ao hotel e parariam de fingir que ainda estavam dispostas a caminhar por aquele calçadão depois de um dia inteiro fritando ao sol.
9 de julho, Playa del Carmen
O café da manhã incluído na diária do hotel era servido numa lanchonete em estilo americano que dava de frente pra rua. Era bem simples: dois pães tostados, algumas frutas, café e um suco ou uma bebida de arroz — sendo que estes dois últimos só se você insistisse, se não eles esqueciam de trazer. Sabendo que não ganhariam gorjeta pelo café grátis, atendiam de acordo. Enquanto tomávamos café um grupo de umas 8 senhoras com uns 60 ou mais tirava uma foto em grupo. Todas usando camisetas comprida com uma estampa de jovens magras em tamanho real. Cena engraçada.
O programa da manhã era ir até o Cenote Azul. Caminhamos pela rua do hotel por duas quadras no sentido norte até o ponto de onde saiam os colectivos, que são exatamente o que parece: lotações com linhas pré-estabelecidas que param ao longo do caminho. Entramos na fila e apesar de ter muita gente na frente sobravam só dois lugares e nos chamaram. Fomos apertados na última fileira da van em um banco alto que ficava acima da vista da janela. Por sorte não demorou muito para liberar outro lugar, mas em todo caso olhei o mapa e vi que estávamos chegando. Vendo o pontinho azul quase em cima do nosso destino, gritei pro motorista: Cenote Azul! E ele freiou bruscamente o veículo: apesar de ter sido avisado ao entrarmos, ele estava passando reto e ia esquecer de nos deixar lá.
A entrada do cenote é um estacionamento cheio de árvores. Uma casinha faz as vezes de lanchonete, bilheteria e aluguel de coletes flutuadores (40 mxn). Foram 100 pesos por pessoa (R$ 20) para entrar. Caminhamos rapidamente por um mato fechado e logo aparecem dois pequenos lagos com a água tão calma e transparente que você até olha duas vezes para ver se tem mesmo água ali dentro. E eu desapontado: havia esquecido no hotel a câmera subaquática.

Mais adiante, o Cenote Azul de fato, muito maior que os outros dois e aberto ao sol. A água era muito transparente e gelada (mas não tanto como uma cachoeira). Umas 15 pessoas nadavam por ali quando chegamos, pouca gente para o espaço. Conforme passou o tempo, foi ficando cheio. Acho que passamos uma hora e meia lá e a ocupação pelo menos dobrou: famílias inteiras vieram com seus coolers recheados de comida, refrigerantes e cerveja (mesmo sendo proibida a entrada de álcool ali).

Quando já estava cheio demais e nós suficientemente enrugados, decidimos sair. Demos uma passada num cenote vizinho mas não nos convencemos que valia a pena visitá-lo. Além disso, já batia uma fome. Fomos pra estrada e acenamos pro primeiro colectivo que passou.
Descemos da van no mesmo ponto onde havíamos partido e fomos andando para o Estia Cocina Griega a uns 700m dali. Chegamos e ainda estava fechado, mas como não havia nada por perto e a promessa parecia boa, aguardamos. Pedimos uma salada grega, uma tábua de aperitivos e uma bebida à base de iogurte feito ali mesmo: tudo gostoso e produzido sob a supervisão de um dono verdadeiramente grego que servia os pratos. Refeição feita, voltamos sob o sol pesado do começo da tarde para uma siesta no hotel.

Saímos depois das 16h para a praia: o sol já tinha desaparecido atrás de uma grande nuvem. Estava cheia de gente, algumas pessoas já bêbadas. Lembro de uma cena trágica: um homem dormindo com a cara na areia e as ondas molhando seus pés. Ficamos na praia até percebermos que o sol voltaria mesmo só no dia seguinte. A luz não estava boa, sem fotos do momento.
Meu pai buscava uma máscara desde que ele perdeu a anterior no ônibus, voltando de Teotihuacán. Quando estávamos a caminho da janta ele olhou para uma loja. Ouvimos da rua um grito e um homem correndo pra dentro da loja. Era o atendente, que vestia a máscara e o costume inteiro de um bêbado, do hálito aos gestos estabanados. Com algum custo entendemos o que ele quis dizer. Disse que o dia tava ruim, que seria a primeira e a última venda do dia. Pegou uma escada, subiu para alcançar a máscara. O homem no caixa parecia não ligar que seu colega bêbado se aventurava a 2,5 de altura, arriscando cair, perder o cliente, um pouco de sangue e a “primeira e a última venda do dia”. Desceu em segurança. Mil e seiscentos pesos, ele disse. De cedro, hecha a mano. Legal, vamos ver melhor e voltamos. Quanto quieres pagar? Mas no sé, amigo, estávamos começando a procurar (mentira). Soltou um suspiro, um pouco contrariado. Novecientos pesos. O cincuenta dólares. E assim um vendedor bêbado conquistou o cliente.
Deixamos a aquisição na mala e partimos pro La Senda Vegana, na Décima Avenida (uma paralela imediata da Quinta, apesar de pular 5 números). Estabelecimento completamente vegan com uns crepes, saladas, sanduíches. Pedimos hamburguesas, água de coco e um “cacaolatado”. A bebida de cor marrom era gostosa, mas devo assumir que gosto de chocolate não combina muito com hambúrguer (mesmo se for vegan).
Antes de retornar ao hotel decidimos dar uma volta pela Quinta Avenida, o mais movimentado ponto de comércio noturno de Playa del Carmen. Loja, restaurante, loja, restaurante, loja, restaurante em um contínuo que se repete por mais de 1 km partindo do píer de onde saem os barcos para Cozumel. Na caminhada de meia hora pelo menos 3 unidades de uma mesma rede de loja de charutos, várias lojas duvidosas de artesanato e muitas placas de giz anunciando promoções em restaurantes e bares. Um menino brincava em uma fonte de água de um shopping como se ainda estivesse na praia.

E, voltando, um homem me perguntou em um sussurro se eu estavam afim de ficar high. No dia anterior passando por lá alguém nos ofereceu chicas. Ou táxis, sinceramente pode ser qualquer uma das opções. Tava só afim de voltar pro hotel, sem táxi ou chicas. No máximo uns coqueteles dos por uno pra ficar medianamente high. Mas deixa esses pra amanhã.
10 de julho, Playa del Carmen
Na noite anterior tinha pesquisado sobre um cenote que parecia especialmente bonito: o Chaak Tun, a 6 quilômetros do centro. Acordamos cedo na missão de ir lá, mas depois de pesquisar táxis e descobrir que por tabela cobravam 250 pesos para andar 6 quilômetros (R$ 8,3/km) decidimos deixar o cenote para lá e ir passar o dia na praia.
Saímos pela rua do hotel e pegamos a direita, no sentido do ferry para Cozumel. Mil perguntarão ao seu lado, mil perguntarão à sua frente: “Ferry Cozumel? Diez dólares!”. Pra todos a resposta padrão “No, gracias”. Mas um decidiu perguntar se já tinha ido lá e respondi de maneira não muito convincente que “si, si”. Inconformado com minha falsidade, o vendedor irritante-irritado ainda fez troça da minha cara e repetiu o meu si, si em idêntica entonação.
Chegamos na praia que fica à oeste do pier. Bem melhor que a praia do centro. Sem prédios, apenas casas. Ainda arrumamos uma sombra compartilhada com uma mulher, embaixo de um coqueiro. Estava tão bom à sombra e ao vento que entrar na água foi um esquisito esforço, já que era algo tão ou mais prazeroso que observar as ondas, o mar e o os barcos puxando parasails ao fundo.

Depois do mergulho achei um toco de madeira úmida no chão e comecei a talhá-lo com uma concha, em grande exercício de artesania näif. O olho era uma concha furada. Não sei se ficou mais parecido com carranca ou estátua de Ilha de Páscoa, mas a finquei na areia tal qual a última opção.

Partimos da praia pra ir comer (depois de um banho no hotel). Paramos no La Missión, que oferecia menus de sopa, prato, sobremesa e refresco por 75 pesos. A sopa era bem oleosa e tinha uns pedacinhos de tortilha frita. O prato veio tão simples quanto bem servido: um burrito de pescado. O refresco — com copos que eram constantemente enchidos — era do sabor flor de jamaica e, surpreendentemente, não era enjoativo como os refrescos costumam ser. De sobremesa um sorvete de coco. Era tudo simples mas em bom tamanho. Justo pelo preço, comida suficiente pra passar as próximas horas dormindo no hotel.

Como bom dia de preguiça, saímos da cama para voltar à praia, desta vez pouco mais adiante, em frente ao condomínio Playacar. A única falha foi não ter levado algo extra para beber, já que não tinha nada para se comprar por ali. Fizeram falta os ambulantes que sempre aparecem no Brasil. Na volta da praia passamos pela minha peça de arte näif: estava jogada na areia e já tinha perdido o olho, um fim triste para ela.

Voltamos pro hotel, batia uma luz interessante no quarto. Dava pra ver direitinho como o pessoal do Hacienda del Caribe tinha um gosto peculiar de decoração.


Passamos de novo no 100% Natural, o restaurante do primeiro dia em Playa. Os drinks 2 por 1 ainda estavam lá, entramos e pedi um Tequila Sunrise. E um ceviche. E depois uma Piña Colada. E saímos pra Quinta Avenida na intenção de comprar umas coisas que, em sua maioria, ficaram nas lojas mesmo. Depois de comida e bebida, o sono de sucesso de quem quase nada fez durante o dia. Mas antes foi preciso solucionar o barulho de água pingando do ar-condicionado. Pronto, agora sim.
11 de julho, Plaza del Carmen, Miami
No último café da manhã comprovamos que no restaurante onde usamos o voucher do café, só se ganha o suco se pedir, mesmo tendo direito a ele.
Fomos para o outro lado da praia pela Quinta Avenida. A ideia era chegar ao fim dela, mas demorou tanto que desistimos. Descemos uma rua arborizada que serpenteava da quinta até a praia, na altura de um grande hotel de bangalôs com teto de palha. Entramos na água transparente e ficamos mais ou menos uma hora por ali boiando, nadando e observando. Constatamos que, como é de regra em quase toda cidade praiana, quanto mais você vai para longe do centro, melhor fica a praia. E todas as vezes que fomos pra praia ali, vimos alguma mulher livrando-se da parte de cima de seu biquíni e, quase sempre comedidamente, aproveitando a água ou o sol da maneira como lhes era mais confortável.
Caminhamos de volta para o hotel pela praia, um último mergulho de despedida na altura da Calle 2 e direto pro quarto tomar banho e fechar as malas. Cinco minutos antes do horário de check-out estávamos à porta entregando a chave do quarto e deixando as malas à nossa espera. Fomos almoçar no La Senda Vegana, mais um estabelecimento repetido. Pedi uma hamburguesa de cogumelo Portobello, que é exatamente do tamanho que um hambúrguer deveria ter. Pra tomar um gostoso Leche Dorada, uma bebida que continha Pimenta, Curcuma, Leite de Coco e outras especiarias curiosas.
Nosso ônibus partiria as 13h35. Saímos do restaurante às 13h00, caminhamos as 5 quadras de volta ao hotel e chegamos derretendo na pequena estação rodoviária da ADO. Todo mundo ali suava e parecia ter participado de uma meia maratona. O ônibus saiu pontualmente, fez uma parada em outro terminal de Plaza e prosseguiu pro aeroporto. Tentamos trocar a passagem para evitar uma escala no Galeão, mas sem sucesso. Tinha fome e vontade de acabar com os pesos 200 pesos mexicanos de meu bolso: peguei um cappuccino grande e um classic chocolate cake no Starbucks, 194 pesos. As moedas ficam de recordação.
Embarcamos para Miami, voo de hora e meia. Sobrevoamos Cancun na saída e pudemos ter uma ideia de como é de cima: uma península fina com um campo de golfe e um monte de prédio grande.

Quase a mesma quantidade de tempo para passar pela imigração e raio X no aeroporto. Uma caminhada para cá, outra pra lá. Já tinha pouca esperança, mas tentei mudar o voo novamente (em vão). Bateu uma fome e a coisa mais interessante era um Fish Sandwich no Nathan’s Famous, mas tinha acabado o fish sandwich deles. Procuravámos comida tranquilamente pelo aeroporto até que decidimos por um pedaço de pizza. Fomos ao portão de embarque e descobrimos que nosso relógio ainda estava no fuso-horário do leste mexicano: nosso voo já estava sendo embarcado. Deu tempo de ir no banheiro e partir pra fila. Nos colocaram na Main Economy Extra, o que é um agrado às pernas. O avião apresentou alguns problemas na saída (assim como o do voo Manaus para Miami). Felizmente o wifi do aeroporto pegava na poltrona 14E e deu pra passar aquela quase 1h de atraso sem perceber. Assisti ao “The Founder” enquanto tomava uns copos de vinho branco.
Me arrependi no momento que começaram a rolar os créditos: não do filme, que era bom, mas do vinho, que me deixou completamente tonto mesmo com o 777 atravessando os céus em um voo bem tranquilo.
Chegamos no Rio umas 9h da manhã.
Continue lendo os relatos dessa viagem:
► 1 a 4 de julho, Miami: goo.gl/7rL3KW
► 4 a 8 de julho, Ciudad de México: goo.gl/tFYNka
► 8 a 11 de julho, Playa del Carmen: (você está aqui)
► Planilha de Gastos: goo.gl/GJNZwY
