Flamingo


crédito do desenho: Guilherme Dearo / nanquim sobre cartão, 2015.

Sonhei um flamingo
último voo rosa-crepuscular

A primeira noite
o último dia

Amanheci último flamingo
inocente e estático
pena sedenta

e da lua manchei-me azul
e do reflexo na água
vi a verdade selvagem e a
fera morena de olhos espreitos

Deitei-me em seu ombro brilhante
oferecendo meu pescoço
longo fino rosa e frágil

Sussurrei-lhe Devore-me
e ali foi o sacrifício
e dormi flamingo

A primeira noite
o último dia

dormi flamingo
sonhei a carne
despertei sem voo
bestial e sem cabeça
dormi último pássaro

levantei anunciado pela noite
que pedia ver meu último voo
de flamingo

e arremessou-me no céu
azul e flamingo

e o vento era inédito.


Poema de 2015, ainda não publicado.

Você pode ler outros no livro “ Duas Hipóteses Para Um Acontecimento” (Editora Giostri, 2014) e pode ser encontrado aqui e aqui.