Precisamos falar sobre esse chinelo.

Texto: Mariana Craveiro

Chinelo que, na verdade, já não sei bem se é um chinelo.

O que sei é que é um calçado da moda que se apresenta ao mundo com um quê de tamanco, um material de sandália e — pobrezinho! — uma carinha de papete.

Pois é. A falecida papete, a irmã mais velha dos calçados horrorosos do século XXI; lembram dela? Uma geração de adolescentes desfilou com aquelas tamancas desafiveladas e cheias de chulé, na esperança de se destacar entre a multidão — e fracassando miseravelmente -. 
E já que estamos em família, não vamos esquecer do filho do meio: o saudoso Crocs (que o fundo do nosso armário o tenha). O sapato mais polarizador do século XXI, se tornou praticamente um sinônimo de “ponto não negociável” em contratos amorosos dos relacionamentos frágeis da modernidade. “Era tão bonitinho… Mas usava Crocs.” Taí. Ponto não negociável. Pode ser cafajeste de marca maior, mas Deus-o-livre que use Crocs.

Mas assim, concluindo e voltando à raspa do tacho da família de sapatos esquizofrênicos de polietileno, uma boa notícia: futurologistas ao redor do mundo já advertiram que, contra todos os esforços dos blogueiros fervorosos e ditadores de tendência desaforados, a menos que este seja mais perseverante e afortunado que seus irmãos, passaremos também incólumes a mais uma voga questionável, ansiosos pelo lançamentos da próxima edição.

Porque sim são medonhos, mas — por Deus!, como são confortáveis os desgraçados!

Ilustrações Gui Craveiro
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