Pensamentos sobre dinheiro e recompensas

Eu sou bancário e, duas vezes ao ano, recebo um bônus nos meus ganhos mensais correspondentes à Participação nos Lucros e Resultados (a famosa PLR) da empresa, o que faz o valor das minhas receitas nesses meses praticamente triplicar. Olho para minha conta bancária bastante satisfeito e sempre acabo refletindo sobre como seria bom que aquele valor fosse algo recorrente e não um bônus esporádico… Mas, será que apenas ganhar mais seria o suficiente?

Temos o costume de achar que nossas vidas melhorariam muito se ganhássemos mais dinheiro. O que eu vejo, no entanto, são vários exemplos de pessoas que passaram a ganhar salários maiores e permanecem igualmente endividadas. Se são promovidas no emprego e passam a ganhar o triplo, dão logo um jeito de triplicar também as suas despesas.

Claro que não é errado desejar um carro melhor ou uma casa maior e mais bem localizada; ou então querer colocar os filhos numa escola mais cara ou ir a um restaurante requintado com mais frequência. O que considero errado é querer mais sempre das mesmas coisas, mesmo quando a relação custo-benefício já não justifica os gastos.

Por que comprar um iPhone 6 se o 5 tem um excelente desempenho para o meu uso ou se posso comprar um smartphone com Android pela metade do preço e desempenho bom o suficiente para mim? Com a diferença de valor, quem sabe eu até faça uma viagem em baixa temporada de dois ou três dias para aquela cidade no nordeste com praias paradisíacas…

Esse pequeno fluxo de pensamento é bem constante no meu dia a dia. O exemplo do smartphone é apenas ilustrativo, mas demonstra um modo de colocar o consumo sob um aspecto mais racional. A meu ver, devemos buscar o ponto ideal de tudo com que gastamos — como em todos os aspectos de nossas vidas, manter o equilíbrio é sempre mais saudável.

Abaixo das despesas com o que é realmente necessário, creio que devemos investir em experiências, em boas lembranças que levaremos para o resto de nossas vidas, pois são muito mais duráveis e importantes do que qualquer bem tangível que possamos adquirir.

Além do ganho e gasto de dinheiro, um outro aspecto que considero relevante é a noção de recompensa ligada ao trabalho. É comum, após uma semana ou um mês desgastante no trabalho, sentirmos uma vontade enorme de nos recompensar de alguma forma, seja nos comprando um presente, saindo para beber e bater papo com os amigos ou fazendo uma viagem de fim de semana para relaxar.

Novamente, nada disso é errado. No entanto, enxergar esses curtos momentos felizes e relaxantes como recompensas não é muito interessante, já que tendemos a tratar os outros dias como sofríveis, entediantes, insuportáveis… Quantas pessoas você conhece que odeia as segundas-feiras e passa a semana inteira esperando a sexta? Você mesmo talvez se enquadre nesse grupo.

É o mesmo que ficar a semana de dieta e tirar a noite de sexta para comer o que quiser. A pessoa encara essa noite como uma recompensa pelo esforço nos outros dias, sendo que uma abordagem mais adequada seria encontrar uma forma de encarar a dieta como algo bom e prazeroso, de modo que a tal recompensa da sexta se tornasse desnecessária.

A recompensa tem que fazer parte do dia a dia, não de momentos bem específicos. Por isso, às vezes é bom parar e fazer uma análise da própria vida, dos motivos que tornam os dias comuns tão desgastantes e ruins de se viver. Com frequência a culpa recai sobre um emprego insatisfatório, com baixa remuneração e horas de trabalho que parecem não terminar. No entanto, isso não é uma desculpa para a vida permanecer assim.

Todos possuem conhecimentos e habilidades com os quais se sentem mais confortáveis. Pense no que você gosta de fazer, especialmente naquelas coisas que outras pessoas em geral têm mais dificuldade e costumam pagar para que outros façam por elas. Pense no que para outros é um trabalho, mas que para você é um hobby, é algo que faz sem pensar em remuneração. Por que não ganhar dinheiro com isso?

Esse é um modo eficiente de se pensar em alternativas de trabalho que farão você se sentir bem em qualquer dia da semana. Não vai se ater a recompensas em momentos específicos, já que sua própria vida se tornará uma recompensa.

Desse modo, o foco muda: não fica mais sobre dinheiro e recompensas ou sobre aquisição de bens para preencher um vazio deixado pelos dias em que a vida não traz satisfação. A vida se torna uma busca por experiências que gerem boas lembranças. O dinheiro se torna uma ferramenta, não uma finalidade. E, talvez o mais importante, o prazer de fazer algo que gostamos nos traz a sensação de dever cumprido, de que estamos aproveitando ao máximo o nosso tempo usando nossas melhores habilidades para contribuir com a vida das outras pessoas.

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