Isabela (10)

Ali tinha não mais que oito anos.

Coberta de um vestido azul bordado com as estrelas não precisava agir para que acontecesse, bastava sentir para que o acaso se apiedasse de tão singelo anjo e assoprasse o vestido por sobre ela.

Olhos desleixados e cheios de si, boca sempre semi-aberta pra no primeiro sinal se deixar falar. Falava por falar, porque as palavras se orgulhavam de ser entoadas pela boca dela. Fazia rir com a espontaneidade e sinceridade de criança. Brincava de boneca de trapo com o próprio corpo, olhava pra cima como se não tivesse ossos, que se recusavam a ser rígidos com ela. Andava cheia de preguiça, sabia ter nascido pra ser carregada.

Em sua inocência de criança era linda sem saber, agia como se soubesse por puro capricho de personalidade. Não ligava pra ninguém, não por ser esnobe, mas porque lhes faltavam atributos que se mostrassem interessantes; tampouco por exigir demais, pelo contrário. Pura de querer, nada desejava senão sorrir de felicidade. E que lindo sorriso!

Pulava de alegria com os pés descalços, naturalidade.

E eu, coadjuvante, me mantinha satisfeito por poder observar um acerto da natureza. Fitava seus olhos em busca da vida que jorrava por eles — ela tinha de sobra. De tanto beber voltei a ser criança e passei a acompanha-la na brincadeira.

Com ela me sentia bem como em lugar algum
Com ela voltei a fazer caretas.
Incrível acaso, ela se alegrava com minha presença
Feliz, de fazer feliz!

11:30.

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