O Fator Fila
Christian Gurtner
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Enfrentei hoje exatamente 1h de fila em caixa de até 20 volumes no Extra de um bairro de classe média-baixa aqui em Fortaleza. Eram 9 da manhã. Qual o motivo? O dia semanal de promoções de carnes e aves + o dia semanal de cobertura de ofertas da concorrência.

O quilo de cebola de 3,69 baixava para 2 reais. O quilo de tomate, que há duas semanas custava absurdos 7,59, caíam para módicos 2,50. Bastava levar o encarte do supermercado de tamanho médio e alcance estadual que fica a 2km dali.

A simpática senhorinha da fila disse que ia ali toda terça, por ser o “dia da cobertura”. “Aqui é mais perto de casa, né? [O supermercado fica exatamente a 10m da entrada do terminal de ônibus da regional, por onde circulam umas 250 mil pessoas por dia] E é melhor também porque a Fulana, que trabalha aqui mesmo, arranja pra mim os encartes do Frangolândia, do CompreMax… aí eu só comparo os preço. Toda economia vale, né?”

Na verdade, semanalmente faço um percurso de ida e volta de cerca de 13km pra ir nesse supermercado. Hoje economizamos pouco mais de 20 reais, numa compra que custaria uns 130. Pela qualidade das verduras e pela carne com boa procedência, têm valido à pena.

Depois de tanto tempo de fila, decidi que na semana que vem vou dar uma chance ao outro supermercado. Difícil é convencer a mãe de que valerá mais. Acredito que eu posso fazer esse esforço. Mas as quase dez senhoras de idade ou donas de casa que estavam na fila de prioridade ao lado, se não eram mais na hora em que fui embora, talvez não tenham condições físicas ou financeiras de pagar mais por uma “experiência melhor de compra”. O que pra nós é acomodação é a única opção pra muita gente.

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