Descobri faz pouco tempo que David Bowie não tinha heterocromia, condição genética que resulta na diferença de coloração dos olhos de um indivíduo. A realidade é que uma de suas pupilas estava permanentemente dilatada, resultado de uma briga na adolescência. Fiquei surpreso, afinal, os olhos de cores diferentes era uma de suas características mais notáveis, dentre tantas outras.

Conheci Bowie lá pelos meus 11, 12 anos da maneira mais trivial possível: assistindo o Top Top MTV, programa voltado à elaboração de rankings de um determinado tema. No caso, quando o cantor inglês apareceu nas primeiras posições, a pauta era algo como ‘os 10 mais inovadores músicos da história’. Foi um impacto imediato. Eu estava começando a minha incursão pelo maravilhoso mundo da música dos anos 60 e 70 quando dei de cara com aquela figura intrigante, diferente de tudo que eu já tinha visto ou ouvido. Foram anos até eu ter uma real dimensão do que aquele cara tinha feito não só com o meio musical, mas também com a cultura geral como um todo. E, sem dúvida, algo que chamava muito a atenção era a sua alcunha: Camaleão do Rock.

Cabelos avermelhados/alaranjados, olhos de cores diferentes, roupa espacial, um raio bicolor pintado no rosto e androginismo. Essa era a receita do sujeito que promoveu um verdadeiro rombo no mundo décadas atrás, mantendo-se sempre em destaque na mídia por causa de seus trabalhos. Até mesmo quem não tem contato com Bowie certamente já se deparou com o seu visual único em algum programa de TV ou página da internet.

Hoje, ao receber a notícia de sua morte(ou retorno ao espaço, já que ele não era desse mundo), sinto que perdemos não apenas um sujeito genial e extremamente criativo em suas várias nuances, mas também uma parcela do comportamento responsável por gerar mudanças drásticas em uma sociedade marcada quase sempre por um inconveniente puritanismo. Dá um desespero em saber que algumas das mais importantes personalidades da história, as quais promoveram verdadeiras revoluções, já não estão mais presentes.

A maior dádiva de Bowie é o legado que ele deixou, indubitavelmente. Basta perguntar para qualquer pessoa o que ela sentiu quando ouviu Space Oddity pela primeira vez. Só isso já é prova suficiente do gigantesco talento daquele que, com certeza, fará muita falta.

Camaleão, sua missão na terra foi cumprida! Sentiremos sua falta, isso não se discute, mas sabemos que desbravar e conquistar outros mundos faz parte do seu objetivo. Vá em paz!

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Guilherme Kentish’s story.