Tava aqui, divagando entre umas ideias meio soltas, quando me deu vontade de escrever algo que me veio à cabeça. 
 Quem diria. O mal do nordeste chegou ao sudeste, especificamente na cidade de São Paulo, reduto comum de vários nordestinos no início da década de 50 que, em busca de melhores condições de vida, acabaram desembocando na ascendente capital paulista. 
 Quase sempre marginalizados por uma parcela considerável da sociedade, comete um erro grotesco quem os despreza e os trata com desdém. E por que disso? Porque ignorar a importância dessas pessoas e dessa região para o nosso país é assinar o próprio atestado de imbecilidade. Do trabalho braçal realizado na época da modernização do Brasil às importantíssimas contribuições culturais(música, literatura, gastronomia, folclore), tenha sempre em mente, por mais que você não consiga admitir, que essas pessoas tem o direito de ser respeitadas e, principalmente, valorizadas.
 Parece ser um pouco clichê trabalhar com essa questão do preconceito e da xenofobia, mas é que eu fico tão chocado de ver que muitos ainda propagam essa ideia, que me deu vontade de deixar bem claro que não são todas as pessoas detentoras dessa concepção. 
 Voltando ao ponto principal, finalmente os indivíduos de uma região rica e bem estruturada(atribua o sentido que quiser) entendem o que a maioria esmagadora das famílias nordestinas passa diariamente. Não tenho a intenção de atribuir a culpa da escassez de água em São Paulo a alguém, ainda mais por que penso que foi um misto de incompetência e atipicidade, e muitos menos de achar ‘’bom’’ que os cidadãos paulistanos tenham que passar por esse tipo de provação, mas é inegável o exemplo que esta situação nos dá de como é complicado viver em um contexto sucateado, esquecido e, como dito anteriormente, marginalizado. E olha que a falta de água em SP é recente e bem menos severa daquela que assola o sertão.
 Resumindo: achei uma puta ironia acontecer algo desse tipo em uma localidade que, creio eu, nunca trabalhou com a hipótese de que uma seca tão contundente os atingiria. É meio paradoxal isso, vai saber.

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