Por que o antipetismo está quebrando o Brasil

A crescente onda fascista disfarçada em antipetismo pode acabar com o que chamamos de Soberania Nacional

Percebo nos últimos tempos — leia-se anos — uma recorrente onda de antipetismo, onde o ódio ao poder executivo, ao governo, à máquina pública e até à política como um todo são filtrados em ataques seletivos ao Partido dos Trabalhadores — que vem, é verdade, comandando nosso país desde 2003. A questão é que com Lula, com a economia voando e o parlamento mais unido que nunca, essa onda andava numa baixa frustrante aos interessados. Entretanto, com o governo incentivando as investigações de corrupção por meio de CPIs e operações, descobriu-se uma sujeira nunca vista antes. E foi aí que surgiu a oportunidade.

Falei antes de interessados no ideal antipetista. Mas, antes de tudo, quem é esse grupo? A quem o petismo incomoda? Não é preciso pensar muito para enxergar que quem mais sente o governo petista é a elite, mesmo com toda a guinada do PT mais à direita que à esquerda na área econômica. A falácia de um governo “robinhoodiano”, que leva à ascensão os pobres e estagna os ricos, desesperou o burguês e aliviou o proletário — só que isso logo foi desconstruído com o esquecimento por parte dos petistas do próprio eleitor. Aí, outro clique: temos um governo eleito pelo operário que já não mais agrada tanto assim ao operário, e que poderia agradar mais o empresário. Vamos tentar um acordo. Se me ajudar, eu te ajudo. Se não…

De qualquer forma, vimos que a corrupção foi o ponto de partida para o tsunami antipetista no cenário brasileiro. Associar o governo que investigou a sujeira foi tarefa fácil para o grupo elite-midiático brasileiro, que sempre dava um jeitinho para fazer o cidadão associar a imagem de um partido a uma prática generalista. Assim, bingo!, já temos por que ir às ruas e mobilizar uma nação descontente com o país com o intuito de “melhorar a vida”. De quem?

Mas não havia motivo para conseguir tirar a presidente — e aí já estamos na transição do primeiro pro segundo mandato de Dilma. O que fazer então? Usar um partido da base para desestabilizar o governo. Quanto custou o PMDB aos golpistas? Não sei. Só sei que a elite flertou com o PMDB e a paixão custou a maior crise política que o Brasil já viu, num espetáculo que o brasileiro nunca quis pagar para ver.

A crise política levou e vem nos trazendo a uma grave crise econômica, e com o PMDB do lado ‘direito’ do governo, eis que se acha um motivo para exigir o impedimento legal da presidenta: pedaladas fiscais praticadas para distorcer à União a economia brasileira. Se constitui crime perante a Constituição, que culmine nas devidas sanções de impedimento? Não posso opinar, entretanto honestamente creio que não. Só que a burrice foi feita. A brecha foi dada.

E aí a sociedade está quase parando. Num ódio com remetente fechado.

Não um ódio a Cunha, a Calheiros, a Sarney.

Não um ódio a Aécio, a FHC, a Serra.

Um ódio burro.

Burro não porque é um ódio ao partido em si, afinal, as ideologias estão aí para serem tomadas. Burro, no entanto, porque é aquele famoso golpe que todo mundo cai: te cutucam de um lado, você olha, e o safado tá do seu outro lado.

Burro porque a xenofobia nunca foi tão grande no país. Burro porque movimentos separatistas nunca foram tão procurados quanto hoje são. Burro porque hoje se diz que o PT é comunista — e olha que se bate nessa tecla de anticomunismo desde o Golpe de 64 e ainda tem gente que não superou.

Burro porque o que fede não é o PT.

O que fede é o sistema.

O que fede?

São eles.

Enquanto estamos aqui brigando pelo vermelho versus amarelo, eles riem. Riem do ringue que criaram.

Aliás, eles criaram o ringue.

Nós estamos na batalha.

E quem vai nocautear?

Isso mesmo.

Eles.