A ESQUIZOFRENIA IDENTITÁRIA DOS LOBOS EM PELE DE CORDEIRO

Era uma vez uma fazenda com muitas ovelhas e cordeiros, nos moldes de uma fram britânica. Esse animais sofriam com os ataques constantes do lobo. Não havia hora para as ferozes abocanhadas acontecerem…manhã, tarde e noite.
Um belo dia as ovelhas tramaram um plano, capturaram o lobo, exigiram vingança. O lobo — por esperteza inconsciente da manutenção do seu poder — pediu perdão, se percebeu horrível, resolveu daquele dia em diante viver como ovelha, comer capim, abraçar o veganismo.
A autoindulgência era tanta que se transformou em esquizofrenia identitária. Começou a costurar roupas com as peles das ovelhas devoradas por ele. Impôs ao restante da matilha que fizessem o mesmo!
- Mas como coser casacos novos sem matar uma ovelha?
- Usem as carcaças deixadas por outras matilhas! Essas sim, assassinas!
- Mas não devemos combater essas outras matilhas?
- Não, não…elas também são lobos! E sem elas não haverá couro para as belas vestes macias de nossa Farm!
Os anos passaram. Já não se sabia quem eram os lobos e as ovelhas. Bem, na verdade, apenas os lobos se sabiam mas eram proibidos de falar. Seriam linchados, coitados, eram vítimas de si mesmos. Os lobo-ovelhas ganharam direito de opinar e arbitrar sobre as decisões do rebanho, o rumo que elas deviam tomar e os caminhos onde passar. Vez ou outra passeavam na beira ingrime de uma montanha e, por um acaso, ovelhas e cordeiros caiam no desfiladeiro.
Na calada da noite estavam todos os lobo-ovelhas lá, no fundo do abismo. O sangue e a carne macia de suas “irmãs” escorriam por seus dentes, lambuzavam suas patas.
