O outro ritmo de Nando

Show da turnê “Sei”, último disco de inéditas do cantor que traz também sucessos mais antigos, acontece hoje (8) na Barra Nova

O cantor Nando Reis desembarca nesta sexta-feira, 8, em Maceió para realizar show da sua turnê “Sei”, celebrando a sua carreira e as músicas do disco autoral de mesmo nome, lançado em 2012. O evento acontece no Sítio Lagoa Doce, em formato de Luau (à lá MTV), junto à sua fiel escudeira, a banda “Os Infernais”, na beira da lagoa. Antes de subir ao palco na noite de hoje, Nando conversou com a equipe do D&A falando sobre a sua carreira, planos para o futuro, o que o público pode esperar do show e até comenta a famigerada ‘selfie’, a qual detesta.

Até então, o ex-titã vinha apostando em alternar discos de inéditas (Sim e Não, Drês) com releituras (Luau MTV, Bailão do Ruivão) até chegar em Sei, lançado em 2012, e sua versão ao vivo “Sei como foi em BH”, lançada no ano seguinte. O disco, seu primeiro trabalho independente de qualquer gravadora — está disponível para ser ouvido gratuitamente na internet e pode ser comprado pelo preço que os ouvintes julgarem justo. A produção do CD é assinada por Jack Andino, que já trabalhou com bandas como Nirvana e Soundgarden e contou ainda com a participação mais que especial de Marisa Monte.

Ele resolveu tomar as rédeas da própria carreira e se tornar um artista independente após ouvir do presidente de uma gravadora que ele não vendia discos, apesar de ser um dos compositores mais gravados no país, segundo ranking do ECAD, órgão que regula os direitos autorais no Brasil.

Desde o lançamento de Sei, há quase quatro anos, ele vem preparando o terreno para o seu próximo disco solo, a ser lançado ainda no segundo semestre de 2016. “Será um disco de estúdio com 13 músicas minhas, 12 delas inéditas. Estou sempre querendo compor uma música nova, esse é o meu trabalho. Mas não componho na quantidade que fazia há 10 anos atrás. Hoje tenho um outro ritmo,” explica o cantor.

Este outro ritmo talvez possa ser explicado pela agenda cheia do músico e compositor de 53 anos, que também é casado e pai de quatro filhos. “Minha vida familiar sempre esteve combinada a minha vida profissional. Quando me casei em 1985, já era músico profissional há 3 anos. É uma questão de dosagem,” reintera.

Sobre a sua relação com os fãs, ele diz ter o maior respeito por quem prestigia o seu trabalho, mas detesta a “selfie”. “Grande parte das pessoas que querem uma “selfie” nem sabem direito quem eu sou, sabem apenas que eu sou “alguém famoso”. Elas querem simplesmente, uma selfie com uma “celebridade” para ganhar likes nas redes sociais. É uma completa inversão: Você está trabalhando para uma pessoa, que nem conhece o seu trabalho,” desabafa.

Além de estar preparando um novo disco, Nando resolveu aceitar o convite para participar do projeto Viva Rock Brasil junto com outros nomes que representam a história do rock no Brasil, num repertório que demonstra versatilidade e passeia pelas seis décadas do gênero nacional. “O projeto é bem legal, ainda mais porque todos os participantes são grandes amigos e grandes artistas. E está sendo um barato cantar músicas maravilhosas que nunca havia cantado,” diz Nando.

Hoje, o cantor se apresenta junto com a banda Os Infernais no paradisíaco Sítio Lagoa Doce, na Barra Nova, a partir das 22h. No repertório, canções como “Declaração de Amor” e “Pra Quem não Vem,” no melhor estilo Nando-Reis-e-seu-violão, uma pitada de hardcore em Ternura e Afeto e os lindos versos de Lamento Realengo, que se destaca no meio das outras faixas com sua pegada de reggae. Além disso, sucessos como “As Coisas Mais Lindas”, “All Star”, “Pra Você Guardei o Amor”, “Relicário” e “Espatódea”.

Na última vez em que esteve por aqui, Nando atraiu cerca de 30 mil pessoas num festival organizado pela prefeitura em 2015. Ele conta que o público alagoano pode esperar, mais uma vez, o que ele tem de melhor: “Adoro fazer shows, a expectativa é sempre grande. Quero me divertir e fazer todo mundo se divertir. Sempre que subo ao palco, é para fazer o melhor show da minha vida”, conclui.


Originalmente publicado na seção D&A do jornal Tribuna Independente, em 8 de abril de 2016.