Biguli, o gordo

Biguli está ficando muito gordo. “Que coisa triste”, retumbam as bocas vizinhas. Em casa, seus pais já recorreram há infinitos recursos. Todos em vão. E os amigos, apesar das frequentes advertências, cansaram-se de vê-lo nessa situação.

Em verdade, ninguém nessa história apresentará os fatos com honestidade, limitando-se apenas aos assuntos médicos ou às recorrentes respostas vazias — é o que sempre fazem os “protetores”. Mas eu, no entanto, reconhecendo o dever de minha alma, não devo me silenciar. Esclareço, afinal, a verdade.

Biguli está ficando muito gordo porque tomou como hábito para sua vida a mentira. Mente, incansavelmente, para si mesmo e para qualquer ser vivo que se apresente ao seu redor. É aquela história: se um dia ele contou uma verdade, pode ter certeza que mentiu. A verdade, para ele, é como a água para o gato. E, por entupir-se diariamente com essas besteiras, persistirá engordando.

Enfim, devo avisá-lo, mesmo sabendo que ele não ouve viva alma: meu caro, cuidado para não explodir.