
Há
Na Vila Madalena
Onde pseudo revolucionários tomam cerveja Heineken e fumam cigarros Malboro Light
Há um resto de poesia sucateada
Renegada
Morta-viva
Renascendo em meio ao asfalto
E vendida como produto terceirizado a uma burguesia descolada de coque samurai e barba cerrada
Minha memória anda falha
E eu nem me lembro qual foi a última vez que me iludi com essa porra
Há um resto de amor incinerado
Incendiado
Pulsante
Que clama por sexo e algumas besteiras ao pé do ouvido
Ao som de um violão com pegada de MPB
E do violino com pegada de samba
Samba, menina,
Samba
E permita que sejamos livres nesta noite pela última vez
Um grão de cristal
E o toque macio dos seus dedos nas minhas costas
Sentindo-nos acima da razão só porque somos jovens
Apesar de não sermos lá mais tão jovens assim
E termos cada dia mais medo da morte
Ou de qualquer outra simples intempérie humana
Há uma pele que sangra,
Um coração que estanca,
Uma mão que me puxa
Uma boca que suga
E extrai exaustivamente
O ego e o dolorido
O amargo
E indigerível
Há um pássaro azul,
Bêbado boêmio batendo asas e se debatendo no berço de um belo e banal sentimento
Metafísico
Acrônico
Que flui e se esvai
Transmuta,
E sucumbe
Há uma luz
No fim
Do
Túnel?