Créditos: AMC/Netflix

Este episódio foi, sem dúvida, tratado como um especial pela equipe de Better Call Saul. Semana passada houve um “easter egg hunt” no Facebook oficial da série. Quem resolvesse as charadas encontraria números, que correspondiam às letras da tabela periódica que formam a palavra “Superlab”, dando a entender que ele seria abordado no episódio.

Segunda-feira (03/09) também foi o “Labor Day” nos Estados Unidos, e vimos cada um com seu trabalho no episódio de hoje, Jimmy, Kim e Mike. Uma infinidade de cenas importantes, atitudes significativas e um excelente roteiro de Ann Cherkis (3º episódio roteirizado de Better Call Saul). Sem dúvida, um dos melhores episódios da série. Tentarei abordar alguns detalhes aqui.

Comecemos por Jimmy. Já abrimos boquiabertos ao perceber os detalhes do escritório de Saul Goodman. Uma cena de Breaking Bad! A situação se passa em algum momento entre “Ozymandias” e “Granite State”, após Walter White ter confessado seus crimes ao telefone e fugido para New Hampshire. Goodman tomaria o mesmo caminho, se tornando Gene, o gerente do Cinnabon em Omaha.

Fiquemos nessa cena por um momento: temos um pouco de simbolismo, afinal Saul (deveria chamar ele de Saul daqui pra frente?) está destruindo o seu templo de maracutaia na prática da lei. A duas únicas coisas que saem intactas dali são seu dinheiro e uma caixa de sapatos que estava muito bem escondida na parede.

A caixa de sapatos vista em “Uno” (créditos: AMC/Netflix)

Já vimos esta caixa antes, embora não tenhamos muita noção do que há dentro dela. Ela apareceu em “Uno” o primeiro episódio da série, e é possível ver um passaporte, uma fita com os comerciais de Saul Goodman e a caixinha que Saul guardava suas moedas especiais (que ele de certo modo roubava do pai!). Seria a essência de Jimmy? Ele também oferece um cartão para Francesca “diga a eles que Jimmy te enviou” e pergunta onde ela estará no dia 12 de novembro às 15h. Os nóias do Reddit estão perdendo a cabeça teorizando sobre o que essas coisas significam. Eu estou ansioso.

Ao fim da cena, Saul olha para Francesca (sua secretária, que já apareceu na terceira temporada e Better Call Saul) e bombardeia a audiência com “quite a ride huh?” A viagem que termina nessa cena, começou em definitivo neste episódio na cena imediatamente em seguida, com Jimmy vendendo seus primeiros “burner phones”. Daqui pra frente, é só Saul Goodman. Ele inclusive aprendeu sua primeira lição, exagerou nas vendas na Dog House. (BÔNUS: era ali que Jesse vendia drogas, e justamente ele apresentou a Walt os celulares descartáveis. Mais um indício de que Aaron Paul pode aparecer em algum momento da temporada?)

A frieza impressionante após esta frase é o que mostra a capacidade desta série de criar momentos inesquecíveis. Episódio marcante. (Créditos: AMC/Netflix)

Jimmy e Kim inclusive continuam distantes. Ele finalmente descartou o psicólogo, apesar de ter dito para ela que marcaria uma consulta. Ele falou que estava no Dog House porque estacionou longe da loja, outra mentira. Inclusive quando eles discutem sobre o assalto sofrido por Jimmy ele expressa remorso, não por estar lá vendendo os celulares, mas por ter sido passado para trás. Espero uma vingança nos próximos episódios.

A relação dos dois deverá explodir em algum momento, ainda mais com Kim desorientada em seu ofício. Seus casos na promotoria já atrapalharem em Mesa Verde, e apesar dela tolerar algumas das flexibilidades morais de Jimmy, ele já é muito mais Saul Goodman, o “criminal lawyer”, completamente incompatível com ela.

Curioso como o encontro do (sumido) Howard acontece no banheiro do tribunal, o local símbolo para o que há de mais baixo profissão aos olhos de Jimmy, a promotoria pública. Howard está no fundo do poço, e importante a aparição dele para mostrar que a relação dos McGill com HHM ainda não acabou.

Outro detalhe interessante é na conversa de Jimmy com seu agente de supervisão de pena. Ele esconde o machucado do seu rosto, sempre conversando de lado com o agente, da mesma forma que esconde suas reais intenções para a sua carreira.

Créditos: AMC/Netflix

Falando agora do Superlab, sinto que as sequências serviram além de tudo para “acalmar os ânimos”. A abertura nos coloca em polvorosa pela aproximação com Breaking Bad, em seguida, o primeiro engenheiro fala que pode construir o laboratório de Gus, abaixo da lavanderia, em seis meses!

Porém, ao fim do episódio, o engenheiro Werner Ziegler trata de esfriar as expectativas, o laboratório esta a anos de ficar completo. Da mesma forma que, por mais que as coisas estejam parecendo muito familiares a obra original, ainda temos muito Better Call Saul pela frente.