Errrrr…. (Créditos: AMC/Netflix)

O posicionamento de cenas é bastante importante em Better Call Saul. Primeiro vemos uma jovem Kim, esperançosa de poder brilhar juridicamente como Chuck, no auge antes da sua “condição” que eventualmente levaria ao seu suicídio. Logo em seguida, após os créditos de abertura vemos uma outra Kim, cansada, trabalhando até tarde e muito desanimada com seu trabalho nas leis bancárias. Ela frustrou os planos de Jimmy ao finalmente aceitar a oferta de Schweikart and Cokely, o que foi mais um passo na direção da separação deles.

Falemos de Jimmy após isso: notei que o episódio foi exageradamente colorido, muito mais do que a série costuma ser. Talvez isso seja influência de Andrew Stanton, roteirista e diretor da Pixar que trabalhou em Procurando Nemo, Wall-E e Vida de Inseto, entre outros trabalhos do estúdio. Ele dirigiu este episódio, e nos proporcionou algumas belas imagens como:

Créditos: AMC/Netflix

Apesar desse monte de cores, é bastante perceptível como o episódio trabalhou a melancolia de Jimmy. Primeiro com seu passado, em que já era esnobado por Chuck — hoje talvez tenhamos visto seu primeiro contato com o estudo de direito, ao entrar na biblioteca do HHM. Depois a morte da Sra. Strauss, uma de suas primeiras clientes, vem para lembrá-lo que talvez ele esteja muito distante do direito para idosos.

O grande baque veio no momento em que Kim frustrou seus planos re reviver Wexler McGill. Ele precisou se retirar por alguns minutos, tamanho o choque das coisas estarem desmoronando. A solidão é o que o empurra para Saul Goodman, persona que ele assume ao coletar seu cheque de US$ 5 mil e investir no seu negócio paralelo.

A cena final com a das piñatas foi bastante interessante, apesar que eu já havia previsto uma vingança dele aqui… essa foi fácil. Fica aí mais um conceito de Breaking Bad, quando Walt pede para Jesse matar o viciado que roubou Skinny Pete: “as pessoas precisam te respeitar”. No final das contas, a esposa do viciado mata ele empurrando um caixa eletrônico na cabeça dele. O curioso aqui é que Saul Goodman representará juridicamente o casal.

Créditos: AMC/Netflix

No lado dos criminosos, vemos Gus usando sua incrível habilidade de contar histórias ao comparar a situação dele e de Hector com a caça de um quati de quando ele ainda morava em alguma localidade rural. Ótima cena. A direção aqui deu um close na mão de Hector, provocando a audiência que não vê a hora de vê-lo se comunicando por uma campainha.

Pelo lado de Mike, são muito proveitosas as cenas em que ele está à vontade, como consultor de segurança. Um contraste bastante válido é a cena com Stacey, em que ele aparece muito mais sem jeito e sem conseguir se expressar como pretendia. Aqui o palpite óbvio: Kai, o alemão idiota, vai fazer alguma coisa estupida: “use o bom senso”. Importante mencionar que o próximo episódio se chama “Something Stupid”.

Um quati (créditos: Wikipedia/Creative Commons)