O escambo do pensamento

Zetty, ao ler o seu feed do Facebook

Eu vejo o Facebook como uma vitrine, que de fato o é. As vezes, resolvo filosofar sobre os manequins aqui expostos.

Todo mundo está vendendo algo. O que vc está vendendo? O que está comprando e o que você está vendendo? Aqui nada mais é do que o escambo do pensamento.

Um lugar onde todos os produtos valem o mesmo preço: a atenção do espectador. A democracia da rede gera perfis e idéias totalmente diferentes e conflitantes.

Como qualquer economia saudável, temos o empréstimo, se chama compartilhar, quando você não quer criar nada, mas participar ativamente da economia, você empresta idéias de outras pessoas. Algumas pessoas vivem de empréstimos e tudo bem, não há nada de errado nisso.

Uns vendem foto de carro, outros de beleza. Tem quem venda belas poesias ou manifestações, tem política, economia, alegrias e tristezas. Reflete-se a diversidade cultural que existe no mundo real.

seria os vocábulos, os supressores das leituras de textão?

Nem sempre o que vendemos é o que compramos. Nessa economia, o produto que mais prolifera é aquele que é se deteriora mais rápido, por algum motivo, emulamos bem nossas características no mundo virtual. O consumismo de produtos descartáveis está em alta pra estação das idéias.

As vezes, eu imagino meus consumidores. Seja das piadas, das reflexões, das idéias. Nesse mundo onde tudo é efêmero, escrever textão ganha rima merecida: revolução.

Desde quando nós tornamos tão vazios, tão expiráveis? Já não bastasse o tédio que sentimos na vida real, vamos transpor mesmo isso aqui, em forma de texto esquecido pela manhã?

Até o pãozinho está durando mais que nossas idéias.

TL;DR: se você só lê o resumo, você não é o usuário que o Facebook quer, mas é o que ele merece.

Postei isso no Facebook sem imagem, vamos ver com imagem.

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