O Inevitável Destino dos Seres, a Difícil Tarefa Delegada Pelo Passado e Minha Vontade Como Fragmento do Cosmo

Para uma sociedade sustentada por efígies e conceitos, é incrível como algo tão tenebroso como a morte possa ser encarado com normalidade. Mas, depois de tanto tempo lidando com o fim, é fácil entender porque tivemos que aceitá-lo. Ele vem para todos, como um monstro de um pesadelo, e nos alcançará. Para muitos, sua data de encontro é desconhecida e apenas tocar em seu nome os causa pânico. Para outros, em momentos de sensações vívidas e intensas, ela parece não existir ou fica tão longe quanto o fim do do horizonte.

Refletir sobre o fim me enche de medo todos os dias. Não que eu tema a dor ou o fim em si, ambos são inexoráveis e variam para todos. Meu temor envolve a história, o legado que deixarei ao partir.

Eu sempre admirei profundamente a ciência, e por consequência aqueles que a produzem. São eles os reais heróis da história da nossa civilização, pois fizeram com que o "sapiens" fosse justificável. Seus nomes são inúmeros: Tales, Sócrates, Platão, Anaximandro, Heródoto, Aristóteles, da Vinci, Curie, Turing, Tesla, Edson, Hawking, Thomson, Bohr, Schrödinger, para citar os que me vieram na mente. Acima de tudo eu gostaria de fazer parte dessa infindável lista, daqueles que contribuíram no rumo da humanidade em direção à verdade. Esse é meu sonho.


Não quero escapar da morte. Não quero deter o físico, controlar outros homens ou intermediar entre os deuses. Muito menos ser mais uma medíocre conjuntura ambulante de tecidos vivos. Não quero viver experiências inexplicáveis da juventude, a agonia triunfante da meia idade ou a impiedosa senilidade. Quero apenas poder adicionar novos grãos de sabedoria e conhecimento ao monte já existente e poder enxergar o fim do horizonte do qual faço parte, dando graças à todos os gigantes sob mim e esperando poder aumentar a distância a ser vista pelos futuros.