Saúde pública no Brasil

Sim, ainda estou devendo falar sobre universidades e propostas de políticas para melhorar a qualidade dos educadores. Mas vamos trocar de tema: que tal falar um pouco de saúde? Médicos, me ajudem!

Para 23% da população, é o maior problema do país (recordista do ranking). Na minha lista, ficou em segundo lugar. O diagnóstico comum é fácil: apesar de melhorias em questões como expectativa de vida e mortalidade infantil, os problemas ainda são muitos. Filas em hospitais, pessoas com doenças graves sem serem atendidas, falta de remédios e falta de estrutura são apenas alguns.

Claro que resolver esses problemas é essencial. Entretanto, deve-se perceber que a relação saúde-hospital funciona ao contrário da relação educação-escola: quanto mais saudável um indivíduo estiver, menos ele irá procurar um médico. Assim, a melhor política de saúde possível é incentivar e ensinar as pessoas a serem saudáveis. Até onde conheço sobre o tema, isso implica basicamente em boa alimentação e práticas regulares de exercícios. Por isso, sou favorável a propagandas de práticas saudáveis por todos os cantos.

Para cuidar da saúde, o Brasil busca a universalização de seu acesso. Isso custa caro, mas é razoável visto que é um serviço essencial e muita gente não pode pagar por ele. Um meio de melhorar essa relação custo-benefício é através do Programa Saúde da Família. Uma das ideias do programa é haver um (ou mais) médico responsável por cada pequena área. Isso permite que o médico atenda sempre os mesmos pacientes, os conhecendo, de forma a fazer uma avaliação mais apropriada do estado clínico das pessoas. Assim, os atendimentos ficam melhores e os pacientes mais baratos para o estado. Só ocorre transferência para outro médico quando constatado um problema que exija conhecimentos ou tecnologias disponíveis para o clínico geral. Por isso, a expansão do saúde da família é vital para o Brasil.

A forma de funcionamento de hospitais também é bastante particular: existem unidades de atendimentos pequenas, médias e grandes (sendo algumas especializadas). Isso ocorre em função das diferentes necessidades de estruturas: um atendimento básico não necessita de muitos recursos, já pacientes com doenças graves precisam usar equipamentos caros, que devem ser reservados a eles. Quanto maior uma unidade de atendimento de saúde, mais serviços ela oferece e mais cara é sua manutenção.

Essa lógica é usada no mundo inteiro, e faz sentido. Unidades básicas devem estar espalhadas por todo o território, e unidades especializadas devem existir em pequenas quantidades, mas o suficiente para realizar o atendimento de quem precisa. Cidades pequenas não comportam (nem devem comportar) grandes hospitais. Em caso de necessidade, deve haver logística preparada para transferir pacientes para um hospital específico. Não sei se isso funciona bem por aqui, mas acredito que algum lugar o atendimento é mais lento do que deveria.

No entanto, um problema ocorre: em pequenas cidades, ainda que salários altos sejam oferecidos, poucos médicos aceitam trabalhar. Para suprir isso, foram contratados médicos de outro país para esses locais. Se eles tiverem capacidade técnica e de comunicação, vendo a questão somente pelo lado da saúde, me parece uma boa solução. Mas, evidente, creio que eles deveriam ter os mesmos direitos de qualquer cidadão estrangeiro com visto de trabalho no Brasil.

Por fim, os problemas de saúde, que já são muitos, tendem a piorar com o envelhecimento previsto da população. Por isso, a transparência, mostrando o tamanho do problema para o povo, é essencial. Políticas como o incentivo à uma alimentação saudável e à prática de exercícios e o programa saúde da família serão efetivas caso bem realizadas. No entanto, a saúde continuará subfinanciada, e por isso muitos problemas continuarão existindo. Assim, parcerias com o setor privado podem ser vistas com bons olhos, desde que reduzam os custos públicos (pelo menos no curto prazo).