Alckmin e seu Império Romano

Na história temos esses dois exemplos de duas civilizações com muito em comum, principalmente por uma ter copiado muito da outra. Grécia e Roma. Na primeira temos não apenas base para muito poder militar mas também em conjunto um gigantesco desenvolvimento filosófico que formou as bases para todas as ciências do mundo moderno e que ainda hoje possuem implicações relevantes sendo feitas em suas questões milenares discutidas. De outro lado temos Roma, um dos maiores impérios da humanidade, com uma economia baseada na guerra e conquista, com grandes feitos de engenharia e quase nenhum desenvolvimento científico e filosófico, comparado à civilização que ela estava em grande parte copiando.

Embora nenhum dos dois esteja até hoje no seu auge o legado científico grego foi posteriormente salvo pelos árabes, que usaram para desenvolver sua ciência, como a Álgebra, e dali evoluir no pensamento científico, inclusive com a própria formalização do método científico, usado até hoje como diretriz principal da ciência. Questões como a existência do átomo foram feitas pelos gregos, o conhecimento do raio da Terra, um legado que perdurou por tanto tempo que culminou como um dos fatores da revolução científica européia. Por outro lado Roma ficou parada no tempo, na sua mesmice de templos magníficos, que após o declínio da civilização foram sucateados, usados como pedreiras para novos edifícios.

Acontece que Roma não se desenvolvia cientificamente, ela dependia apenas de guerra para manter seu governo, e o fim dessas conquistas levou ao colapso do governo. Da mesma forma essa semana admitiu o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que a Fapesp financia pesquisas inúteis, torrando todo o seu dinheiro em conhecimento que serve para nada. Tais como pesquisas de fronteira, em física e matemática, como também na área de ciências humanas.

O problema em questão, comparativo à história, é que não se faz ciência aplicada sem antes você criar essa mesma ciência abstratamente. É uma ilusão criada sobre a forma como ciência é feita, talvez culpa até mesma da pobre divulgação científica. E até é problemático ver pessoas contestando a frase do governador dando exemplos de pesquisas que ele julgaria inútil mas que houveram aplicações imediatas por acaso. Essa também não é a questão, pois não se pode deixar que a ciência seja majoritariamente pautada em sua utilidade imediata ou não. Se assim o fosse nada teria acontecido. Não havia utilidade para eletromagnetismo, hoje não se vive sem ele. Não se havia utilidade para descrição do fenômeno foto-elétrico, sem ele não teríamos metade do desenvolvimento computacional. Não há utilidade para a relatividade geral, que descreve a gravitação universal muito mais corretamente, mas como abordado em Interstelar, ela um dia poderá até salvar a humanidade. Ou não.

Ao pautar a produção científica em sua aplicabilidade serão cortados caminhos no conhecimento que podem ser irreversíveis e causarem uma perda gigantesca para o coletivo humano. Como já comentou outras vezes, ciência é como abrir trilhas numa floresta, as vezes pode dar num penhasco e as vezes pode dar numa clareira perfeita. Mas é necessário chegar ao penhasco para ter certeza que a clareira é o caminho certo, e mesmo assim é necessário chegar ao penhasco, pois se num futuro puderem fazer uma ponte por ali, teremos um problema resolvido. A ideia do átomo era uma aberração até ser a solução.

As pessoas precisam ver que a pergunta não é “para que serve isso ?” com desdém, mas sim com curiosidade.

Guilherme Vieira, que acha que Alckmin deve honrar esse sobrenome árabe que significa “O Químico”

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