Namorando seu sócio antes de casar

Guilherme Lito
Jul 20, 2017 · 6 min read

Esse texto serve como complemento ao vídeo acima. Aqui trago algumas propostas que eu e outros empreendedores já utilizamos para conhecermos melhor nossos sócios antes (ou depois) de nos casarmos!

Conhecendo o Ser Humano por trás do Sócio

Talvez a maneira mais simples de se conhecer melhor é explorar perguntas. Você pode faze-las em um encontro/churrasco/bar/praia. Perguntas como as que seguem abaixo podem servir de apoio para vocês se conhecerem melhor:

Qual a história do seu pai e mãe e qual a sua própria história de vida?

Quais foram os momentos mais marcantes da sua vida?

Qual seu maior sonho?

Quais 3 momentos na sua vida trouxeram você até aqui e por que?

Quais 3 pessoas na sua vida trouxeram você até aqui e por que?

O que você faz que você é muito bom fazendo?

Quem é a mulher que você mais admira?

Quais são suas referências?

Qual o seu livro de cabeceira?

Que história da sua vida nenhuma pessoa aqui sabe?

Como essa empresa que estamos abrindo contribui para seu sonho de vida?

Por que você me quer como sócio?

Por que você quer entrar nesse negócio?

O que você espera dessa jornada?

O que você imagina serem os custos/ônus de fazer parte dessa sociedade?

O que você imagina serem os ganhos/bônus de fazer parte dessa sociedade?

Algumas perguntas que botei aqui mas poderiam também estar no próximo post que tem a ver com acordos societários:

O que quer dizer ser sócio? Só para você ter ideia de algumas respostas que já saíram em ambientes nos quais estava:

  • Ser guardião da cultura da empresa
  • Reconhecimento pelo trabalho já feito na empresa
  • Não está acima do organograma, deve respeita-lo
  • Sócios recebem dividendos e participam de reunião de sócios
  • Ganha plano de saúde
  • Se trabalha na empresa tem 30 dias de férias (que pode quebrar como quiser) e 13 salários por ano
  • Se sai da operação não tem direito de voltar para o mesmo cargo depois
  • ….

Qual a diferença entre sócio e funcionário?

Dinâmicas

Você pode, além de perguntas, propor algumas dinâmicas mais estruturadas. Algumas das minhas preferidas são:

. Quais as nossas crenças sobre Seres Humanos? Completem juntos a frase: "O Ser Humano é naturalmente…" — muita coisa pode emergir aí desde "egoísta" até "generoso" ou "eterna mudança". Vai colando tudo na parede. O que é legal é conseguir trazer para a superfície crenças que temos lá no fundo e que depois embasam um monte de decisões na empresa. No pensamento sistêmico há um iceberg que descreve bem os impactos de entender o modelo mental sob o qual estamos agindo:

Só para dar um exemplo, se nós acreditamos que o Ser Humano é naturalmente egoísta e só pensa no seu próprio bem, então desenvolvemos estruturas sistêmicas (processos) que nutrem esse pensamento, como avaliações de desempenho individuais, estímulo à competição por crescimento dentro da organização, muita motivação extrínseca (remuneração variável individual/sistemas de punição) e até mesmo detector de metal, afinal se ele só pensa nele mesmo é bem capaz dele estar levando algo para casa sem permissão. Na medida em que criamos o sistema dessa maneira, o ambiente de trabalho tende a ficar mais competitivo com a desconfiança pairando no ar. Uma pessoa puxa o tapete da outra para bater sua própria meta, uma pessoa da equipe se sente desvalorizada e desumanizada porque todo dia tem que passar num detector de metal, e aí começamos a ter roubos, comportamentos anti-éticos e por aí vai. Como aprendi com Miki Kashton:

Se você vai casar com alguém, vale saber o que ela pensa sobre os Seres Humanos, pois a maior parte das questões empreendedoras não são contas ou ideias geniais, são questões humanas. Afinal, quem faz as contas e desenvolve essas ideias geniais?

. Para onde estamos indo? Uma vez Luiz chegou em casa e me falou: descreve nossa empresa daqui a 2 e 5 anos. Eu saí falando e ele anotou tudo. Ele fez isso com todos os sócios e foi muito divertido e assustador ao mesmo tempo ver as respostas. Nós estávamos pensando o futuro MUITO diferente. O melhor foi depois de 2 anos pegar as respostas e re-ler. Aí sim foi de rachar de rir! =D

Esse exercício pode ser legal de fazer e há muitas variações possíveis. Cada um pode fazer um planejamento futuro da empresa, ou preencher respostas para coisas objetivas que dão um gostinho de como estaria a empresa, tipo: "produtos lançados", "faturamento", "lucro no ano", "no. de pessoas na equipe", "meu salário", "no. de sócios", etc. É claro, ninguém tem bola de cristal e isso não serve como um planejamento, mas serve para traduzir o que cada um individualmente sonha para o futuro. As vezes eu estou querendo ir para Angra dos Reis e você para Cabo Verde.

A Prof. Sandra Korman* (korman@puc-rio.br) propôs uma dinâmica com alguns amigos que AMARAM e eu vou tentar reproduzir algo parecido aqui. A proposta era cada (possível) sócio pegar um papel e começar a se desenhar no futuro (você define o prazo, pode ser em 1–5–10 anos). Desenhando você mesmo, pode ser na sua casa como você a imagina, com sua família como você a imagina e o que mais vier. Depois de 10–15min desenhando, todo mundo passa o desenho para o lado e por 5min outra pessoa vai continuar desenhando como será o seu futuro, e assim continua o círculo com todos tendo oportunidade de desenhar um pouquinho do que imagina do futuro do outro. No final o seu desenho volta para você e você terá a oportunidade de refletir não só sobre o que você imaginou, como também o que os outros imaginaram de você.

. Mapeando valores: a dinâmica sugerido nesse post aqui pode lhe ser útil também!

Essas são algumas iniciativas que você pode tomar para trazer para a superfície algumas histórias/fatos/pensamentos/emoções que podem ajuda-los a escolher melhor se vocês querem ser sócios mesmo e/ou alinha-los para que estejam remando numa direção comum. As dinâmicas e perguntas são só os ingredientes, você como participante do encontro é o chef que vai fazer uma comida deliciosa com esses ingredientes! Se precisar de apoio na sustentação de um diálogo profundo, o pessoal da comunidade de CNV (comunicação não violenta) como Kiu Coates (escutaprofunda@gmail.com) e Thiago Saldanha (tsaldanhapereira@gmail.com) e redes que trabalham com diálogos em organizações como a Target Teal com pessoas como Marco Barón (baron@targetteal.com) podem lhe apoiar nesse processo!

Por fim (é claro que não precisa ser cronologicamente no fim, até porque a essa altura acho que é bem improvável), se vocês sentem que faz sentido construir juntos esse sonho, vale entender quais as experiências que seu sócio já deve em outras empresas e não só da boca dele. Em entrevistas de emprego muitas vezes ligamos para os antigos colegas de trabalho, por que não fazer isso também com sócios? Há muitas versões para toda história, e eu já me surpreendi diversas vezes ouvindo a história de um empreendedor e depois ouvindo histórias que contaram do passado CLTista dele. As perspectivas são muito valiosas! **

Por hoje é só pessoal ;)

Torço para que tenha lhe sido útil! Seguimos tecendo.

*Korman Dib, Sandra. “Juventude e projeto profissional: a construção subjetiva do trabalho” Tese de doutorado. Inst. de Psicologia. UFRJ. 2007.

**Obrigado Re Carvalho por me lembrar de adicionar esse ponto =D

)

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    Guilherme Lito

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