O valente coração de aço

O lixo das máquinas velhas é sempre surpreendente. Eu acho as peças mais extraordinárias em meio as maquinas menos surpreendente. Mas ainda não achei o propulsor necessário para concertar o carro do papai, e tenho até amanhã para conseguir. Se ele descobrir que eu além de pilotar o Maverick dele ainda bati na árvore ele certamente vai me matar. A mamãe já não queria que ele ensinasse uma criança de 11 anos a pilotar, agora então é que vou ficar de castigo até os 18 anos. A chuva está forte e até já consegui achar um busto de controle robótico, que por sorte ainda possui os leds funcionais. Assim a noite não fica mais tão densa.

Passam algumas horas e já estou me sentindo exausto. Céus! Eles vão me matar! Não preciso de motivação maior para achar um maldito propulsor. Eu tiro peça sobre peça, me sujo de óleo, até chego a machucar minha mão com um pistão quebrado, e já estou formando uma nova pilha de lixo com as coisas que tirei da pilha.

Finalmente! Achei o propulsor que eu quero! Mas ele está preso em algo. Parece uma gaiola de cinco grades gigantes. Quem colocaria um propulsor nisso? Eu mexo mais um pouco até que consigo achar o controle de acionamento da gaiola. Finalmente o grande prêmio. Agora as coisas vão dar certo. Venha para mim!

Quando eu aperto o botão a gaiola se abre e quase choro ao ter ele ali na minha mão.

O que é isso? O chão está tremendo. A pilha está fazendo sons metálicos e a gaiola aberta está se movendo.

Eu sou arremessando para trás e uma grande quantidade de lixo cai sobre mim. Que sorte não ser nada pesado. Mas o que raios foi aquilo? Será que eu acionei o propulsor?… Não… foi algo bem maior que o propulsor.

Quando eu saio da pilha não acredito no que estou vendo. A primeira coisa que noto é no exagerado tamanho das pernas que são três vezes maiores que eu, seu corpo é sólido, meio arredondado e com muitos arranhões desenhando o visual velho. A gaiola que eu tinha visto antes era na verdade os dedos de uma mão gigante, seus olhos são pequenas duas luzes falhadas em meio a uma máscara que lembra muito a de um jogador de hockey, só que metálica. Em suas costas há uma escotilha gradeada em meio a propulsores laterais gigantescos. Por mais incrível que pareça, eu estou diante de um robô de combate da última guerra funcionando a todo vapor na minha frente. Mais do que isso, eu estou usando o seu colete de controle.

Like what you read? Give Guilherme Araujo a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.