no dia que eu for(fui)
não haverão louros ou agouros
será uma terça-feira, como outra qualquer
as lágrimas não vão nem se dar o trabalho de coçar o olho alheio
o sol vai sair, porque já estava marcado assim pela moça do tempo, a frente fria deságua pro sul
o engarrafamento vai embolar na lucaia, acm e paralela
vão dizer que foi um dia incomum, mas o dólar vai fechar em alta novamente
vão tocar “here comes the sun” três vezes ao longo da tarde
alguma garota, que perdeu o sentido do amor, pediu na jovem pan
o camelô da passarela vai contabilizar 147 balas,
3 microchips da tim, 2 óculos escuros e 4 pares de sapatos
baita reportagem.
a tia do lanche vai fazer uma promoção de 3 reais(suco+salgado)
descobriu que vai ser avó pela terceira vez, dessa vez da filha favorita
- ninguém sabe o duro que dei.
uma entrevistada citará Simonal sem querer, na rua,
falando sobre a recente vitória no aumento do salário dos garis; capa de amanhã
os números da loteria serão 07–12–20–39–40–54
acumulou
quando menos esperar você vai ler
“morre jovem de morte morrida…”
quem ainda lê jornal? você pensa na varanda
“…achou que era certo atravessar sem olhar pros dois lados da ave-nida.
de quem é a culpa seu prefeito?”
e por um momento vai pensar
que aquele dia, que não leu meu nome inexistente: o indigente
podia ser um bom dia pra tomar um açaí ouvindo Jorgebenjor
logo aquela que lhe ensinei ser a melhor cura
para dias tão ordinários