A grama sintética na Arena da Baixada é uma boa solução para o Atlético-PR

Sem objetivos até o final do Campeonato Brasileiro, já que não tem chance de chegar ao G-4 e nem de cair para a Série B, o Atlético-PR vive momentos extra-campo. Em dezembro acontece as eleições no clube paranaense e, no final desta semana, veio a confirmação do uso da grama sintética na Arena da Baixada no próximo ano. E é uma boa saída encontrada.

Custo com iluminação artificial na Arena é de R$ 80 mil mensais. Foto: Atlético-PR / Divulgação

A discussão é longa. O presidente Mario Celso Petraglia, que garante não concorrer à reeleição, disse em algumas oportunidades que queria mudar o piso em seu estádio. A ideia era ter já em 2015, mas a direção decidiu fazer alguns testes com a conclusão do teto retrátil, no final de março, para ver se melhorava a condição do gramado. Não conseguiu. Até pelo Rio Água Verde, que passa embaixo das arquibancadas do estádio, no lado da Avenida Getúlio Vargas, dificultar o bom piso — historicamente.

Com isso, a cúpula rubro-negra decidiu investir de vez na inovação dentro do futebol brasileiro. O mandatário atleticano conseguiu o aval provisório da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tal e a Conmebol não possui restrição, com o piso sendo autorizado em competições internacionais há alguns anos.

Mas as perguntas que ficam são: o que muda? É vantajoso para o clube?

Está claro que o Atlético-PR possui um problema sério de comunicação com o torcedor. No início, a alta restrição à imprensa gerou elogios da torcida e uma falsa ideia de que eram os jornalistas que tentavam estragar a imagem rubro-negra.

Porém, com o tempo, essa forma de lidar com o público ficou saturada. Entrevistas pré-jogo, pós-jogo e algumas notas oficiais quando convém não satisfazem mais a nação atleticana. Não há confronto de ideias, questionamentos e a paciência da maioria acabou.

Estádio do Bessa, do Boa Vista de Portugal, usa grama sintética, mas Federação portuguesa proibiu uso a partir de 2017. Foto: Divulgação/Boa Vista FC

O exemplo claro dessa falta de contato é que a confirmação do uso da grama sintética veio através do Facebook da empresa responsável. Nos veículos oficiais do Furacão, nem uma palavra. A instaladora portuguesa Global Stadium divulgou em sua rede social a assinatura de contrato, firmada no dia 30 de outubro, na sede da empresa, com a presença de Petraglia e Luiz Volpato.

As empresas responsáveis e o clube paranaense pretendem realizar uma coletiva de imprensa nas próximas semanas para explicar tal mudança. Enquanto isso, a discussão entre os torcedores no dia a dia é grande — muitas vezes motivada pela questão eleitoral, infelizmente. E é bom explicar o porquê é vantajoso colocar esse tipo de piso no local.

O custo para manter o gramado na Arena é altíssimo. A manutenção do gramado, no padrão Fifa e obrigado pela entidade a ter para a Copa do Mundo, custa aproximadamente R$ 200 mil — só de energia elétrica com o equipamento de aquecimento natural fica em R$ 80 mil.

E tudo isso para a condição ser péssima e vergonhosa. As reclamações começaram durante o Mundial de 2014 e continuaram ao longo desta temporada, intensificando no Campeonato Brasileiro. Não foram poucos os jogadores que atuaram por aqui e reclamaram.

Sydney Leroux Dwyer, norte-americana, reclamou dos arranhões da grama sintética em abril. Foto: Reprodução/Twitter

Já a mística de que a grama sintética aumenta o número de lesões também não é verdadeira, mesmo com a reclamação de jogadoras na Copa do Mundo de futebol feminino, no Canadá. Um estudo da American College of Sports Medicine — colégio americano de medicina esportiva — observou 259 atletas de várias categorias e considerou que o risco é o mesmo.

O novo gramado da Baixada, segundo relata a Gazeta do Povo, “levará, entre os fios, um composto orgânico chamado geofill, patenteado em 2010. No site da fabricante, a tecnologia é descrita como capaz de dar um toque natural à grama sintética — os estádios do Novara e do Spezia, ambos da Série B da Itália, contam com tecnologia similar”. O próprio jornal também escutou especialistas na mesma matéria, que embasa essa teoria de achismo ser errada.

A previsão é de que, com o fim da Série A, a Global Stadium e a fabricante italiana Italgreen levem 60 dias para concluir a troca de piso na Arena. O CT do Caju também receberá grama sintética em, pelo menos, dois dos oito campos no local para a preparação em jogos na capital paranaense. É um diferencial, ainda mais pela proposta de jogo do Atlético-PR, que consiste muito na velocidade e deve se intensificar agora.

Essa é mais uma inovação de Petraglia, que costuma se alimentar do ego da novidade ao longo desses 20 anos à frente do Furacão. O momento para isso, de fato, é polêmico. A um mês da eleição, a dúvida geral é de que uma decisão dessa precisaria passar pela aprovação do Conselho. Até concordo. Independente de quem ganhe o pleito em dezembro, o que fica nessa decisão de troca pela grama sintética é que a mudança é para o bem da instituição.

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