A mutabilidade das coisas

As coisas deixam de ser coisas para virarem outras coisas, o tempo todo. Nada é pra sempre aquilo que é. Em um dia aquilo que era importante passa a ser ordinário e o extraordinário perde o seu sentido.

Não existe nada que possa ser feito, esse é o jeito que as coisas são. Somos quem somos apenas agora porque daqui a pouco já somos outra coisa, outra pessoa, um pouco daquela que já existia misturado com uma dose de novidade.

Novidade essa que ninguém sabe qual é, afinal, ela é variável. Se ao menos houvesse uma forma de prevê-la, você gostaria de saber? Saber o que você vai ser? Isso não deixaria a vida mais monótona? Sem esse mistério, o que sobraria para ser apreciado? São muitas perguntas e nenhuma resposta.

Por que as coisas mudam? Se elas fossem o que sempre foram, sempre iguais, imutáveis, a vida teria um roteiro bem escrito mas muito menos interessante. Mistérios são importantes, eles levam a questionamentos, que levam a novidades, que geram mais questionamentos e assim por diante.

Quanto mais respostas conseguimos, mais perguntas temos. É um paradoxo sem fim. Afinal, o que é o fim? Pode ser visto como um novo começo. Pode ser que na verdade o fim seja o começo e o começo seja o fim, afinal não existe só um ponto de vista, existem inúmeros e com certeza um deles está lá no final olhando para a outra ponta, o começo.

E se alguém resolver ler esse texto do fim para o começo?
Talvez faça sentido, não importa.
Isso tudo são coisas que passam pela minha cabeça,
pode não fazer sentido algum ou pode fazer todo o sentido.
Mas se eu não colocasse para fora, perderia o sentido.

Boa noite,

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