Nada significa muita coisa…

Essa semana encontrei, por acaso, o canal da Lili Prata, ela trabalha para a revista Cláudia e, simplesmente, me apaixonei por ela e pelo conteúdo. Aí, no dia de hoje, 27/05, encontrei um vídeo em que ela discorre sobre como pequenos ou grandes gestos dentro de um relacionamento podem não significar muita coisa e, ouvir isso, foi libertador.

Quando algo me toca, eu fico pensando por dias sobre isso. Apliquei o ensinamento à minha vida e fiz uma pequena análise dos meus poucos — cof, cof — envolvimentos com pessoas e só consegui pensar: como eu queria ter ouvido isso antes! Em 90% dos meus relacionamentos, eu estava incontente com o outro em relação a mim e vivia dizendo às minhas amigas coisas do tipo “Ah, ele não me dá valor”, “Ele não faz nada por mim (ou por nós)”, “Ele não gosta tanto de mim quanto eu gosto dele”. A questão é: até que ponto isso é verdade?

Do que valem os grandes e, muitas vezes, exagerados gestos em um mundo que, alguém é pedido em casamento e ganha um diamante caríssimo, mas um mês depois está assinando os papéis do divórcio? Ou, até mesmo, do que vale toda aquela paixão e o fogo do primeiro mês se, na fila do pão, eu posso encontrar o grande amor da minha vida e substituir a outra pessoa em dois minutos? Por que é tão errado uma pessoa gostar “mais” do que a outra? Isso não deveria ser normal, visto que cada um sente de formas diferentes? E o pior de tudo: Do que vale o “eu te amarei para sempre” se, amanhã, esse amor pode ter, misteriosamente, sumido? Esses gestos, infelizmente, não significam muita coisa. E, por muita coisa, me refiro ao valor que atribuímos a essas questões durante tantos anos.

Dar tanta importância a isso tudo gera vício em um ideal de amor que não existe a longo prazo. Gera, como mesmo diz Liliane, vício em uma narrativa romântica construída lá atrás, na nossa infância, quando ouvimos nossos pais contando a história de Cinderela e do quanto ela e o príncipe se amavam de forma romântica e, sobretudo, igual. E, só quem já se relacionou com alguém, sabe que nem todos os momentos são dignos de contos de fadas, tampouco, flores e corações.

Se relacionar é viver nas entrelinhas, é encontrar amor e carinho nos pequenos gestos sem esperar por gestos que você nem mesmo gosta, mas considera “importante”, pois consumiu essa informação a vida toda. É saber que é — ou deveria ser — normal se a pessoa que você tanto ama parece não gostar de você na mesma proporção, pois talvez ela apenas não saiba como demonstrar, mas saiba como sentir e, isso, em um mundo perfeito, deveria bastar.

Não procuro respostas, mas, sim, manter todas essas questões comigo, dentro de mim, de modo que, ao me deparar com uma possível “falta de amor” do meu parceiro, eu saiba que pode não ser o que parece, assim como eu saiba como manter meus pés no chão, mesmo diante do maior gesto de amor eterno, pois ele pode durar apenas algumas três horas e tá tudo bem, é assim mesmo.

Canal da Lili Prata: https://www.youtube.com/channel/UCouNAmWxQexHMNcRkLL3FVA