Ano novo/Ilusão númerica..Ou não?

São 04:47 da madrugada e eu poderia dar inúmeros motivos para estar acordado, dentre eles: planejar eventos urgentes como objetivos de vida daqui a 30 anos, excesso de cafeína e sonecas vespertinas de férias, que culminam num sono desregulado. Mas isso não faz diferença alguma agora.

Apesar da procrastinação e do título sugestivo, não venho aqui para fazer uma retrospectiva do meu 2016, já que a minha intenção não é fomentar o impulso humano pela nostalgia. É pra falar sobre a genialidade da invenção "ano novo", que é tão lucrativo para a humanidade quanto o natal é para o comerciante. De uma perspectiva de planos mesmo.

Na grande maioria, as pessoas entram no clima de boas festas com ideias para mudarem suas vidas radicalmente. Falam sobre perder vários quilos, trabalharem melhor, estudarem mais, ganharem mais. O mais curioso nisso tudo é que, apesar da solidariedade que surge magicamente nesse período, ninguém coloca como meta algo que possa beneficiar os que estão ao seu lado. Como tratar melhor os amigos, os parentes e os seus pares. Somos narcisistas até quando a sociedade finge viver com solidariedade.

Até aí tudo bem, porque isso tudo existe há tempos e não vinha fazendo muita diferença no mundo. Porém, no contexto atual, com a falência das relações sociais, acredito que apenas o ato de avaliar-se, enquanto integrante da sociedade, em relação às pessoas que estão à nossa volta e, assim, buscar aprimoramento já pode ter um enorme impacto no mundo. E nisso, a expectativa de renovação vinda com o ano, só traria benefícios.

O ano novo é essencial para renovar aquilo que move o ser humano: a esperança. Sem esperança, não trabalhamos, não estudamos, não vivemos. E é brilhante o potencial do período em renovar as baterias.

Dar adeus a 2016 com raiva foi algo bem recorrente no período.

É inegável que, em termos gerais, foi um ano difícil pro mundo. No entanto, pra mim, foi um ano excepcional (e quem me conhece, sabe os motivos). O que me leva a crer que as pessoas tendem a se manter na sua zona de conforto, esperando que caia do céu uma grande mudança na vida. Existe um motivo para a mega-sena da virada valer tantos milhões. As pessoas acreditam mais no acaso do que na governabilidade da própria vida.

Porque fazer o plano é mil vezes mais fácil do que cumprir. Perder peso significa inserir uma rotina de exercício físico (que, cá entre nós não é a coisa mais prazerosa do mundo. Faz-se porque saúde é necessário) e de alimentação sem excessos. Trabalhar melhor significa gostar do seu trabalho. Estudar mais implica em abrir mão de descanso e se dispor a se estressar mais. E ninguém deseja de verdade isso tudo.

Quebrar a lógica do menor esforço implica em mudança de hábitos. E essa inércia é o pior defeito do ser humano.

Por isso sempre desejo mais disciplina na minha vida, por ser a arte de tornar hábito não necessariamente algo que te faz feliz no momento, mas que pode te fazer feliz no futuro. Quem não gosta de estar em forma, ter notas altas e se sentir eficiente?

Apesar de ser fácil acreditar na mega da virada, não é o que acontece normalmente. A gente fica melhor se esforçando dia após dia. Sem perceber direito e até se irritando com a velocidade da evolução. Mas uma hora chega. E vale a pena. Experiência própria. Para ter a maior vitória da minha vida, tive que sacrificar momentos que não voltam mais e sofri muito. Se já pensei em desistir na metade do caminho? Mais de uma vez. Mas não desisti.

Hoje tenho outros objetivos. E vou lutar por eles até o fim, independentemente se foram criados no ano novo ou numa terça-feira aleatória no meio do inverno.

Tudo dá certo para quem tem persistência.

Desejo a vocês um ótimo Ano Novo!

E que sejamos melhores do que um dia fomos.

Guilherme Ruschel Rosa

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